Morte aos malas
Rô, minha amiga, tem um manifesto de morte aos malas. Ela defende, não a morte matada, violenta e às vezes necessária, mas uma morte lenta, gradual e praticada basicamente com o desprezo. Eu concordo plenamente. Os malas deveriam ser simplesmente ignorados. Assim, tornariam-se inofensivos. Mas nem sempre a gente consegue. De um jeito impressionante, todas as mulheres do mundo já cruzaram e caíram na mão de um mala. Ou de vários, a depender da dificuldade que se tem em identificá-los.
Para me proteger disso, eu elaborei uma teoria. O mala é mala porque nós mesmas damos espaço a ele. É o seguinte: nessa vida de muito trabalho e poucos lugares a ir (ok, ok, moro em Brasília, não em Salvador ou São Paulo), acabamos nos relacionando com as mesmas pessoas. Gente que encontramos no trabalho ou na mesma boate, no cinema de domingo. E, depois de um certo tempo solteira, você já se envolveu com boa parte dessas mesmas pessoas. Um verdadeiro “Barrados no Baile”. Resultado. O cara que é mala estava ali. No começo, você sequer olhava para ele. Sabia que não valia a pena. Mas aí, entre um caso que deu errado e outro, ele aparece. Carente, a gente acaba ficando generosa. E quando menos espera, se envolve com o bendito.
O problema não é se apaixonar pelo mala – desinteressante, na maioria das vezes feio, e chatinho. Ele poderia ser tudo isso, mas ser um namorado fantástico. Afinal, o fato de você (linda, interessante e estilosa) estar com ele é motivo suficiente para que ser tratada como uma princesa. O problema é que, como bom mala, ele tem a cara-de-pau de aprontar alguma. E só então você se dá conta da roubada em que estava. Mas aí, já é tarde. O mala anota mais uma conquista inacreditável no currículo e começa a acreditar que é o máximo. Afinal, ele fica com as boas meninas e nunca sai de coração partido. E passa agir como se REALMENTE fosse bom pra caramba.
Conheço vários tipos desse. Um, em especial, se aperfeiçoou em atacar mulheres lindas e recém-saídas de um relacionamento. No último ano, eu contei quatro. Boas meninas que, em situação normal de temperatura e pressão, nunca olhariam para ele. Mas, em meio a solteirice recente, caíram nas garras do mala. E, se arrependem amargamente, claro.
Como solução para evitar roubadas desse tipo, tenho uma estratégia. Só perco tempo com caras que valem a pena. É feio? É chato? É desinteressante? Nem tento ser generosa. Antes só do que mal acompanhada. Assim, se a história não der certo, pelo menos sei que o perdi tempo com um lindo, um charmosérrimo ou um super inteligente. Por pior que seja a dor de mais uma caso fracassado, não se compara a indignação de ser sacaneada por um MALA!!!!
P.S. Sei que posso pagar minha língua e cair perdidamente apaixonada por um desses tipos abomináveis. Boas meninas são, antes de tudo, boas meninas. Inocentes até. Mas, se isso acontecer, por favor, me mandem ler meu próprio blog...
