Ciumenta, eu?!!
"O ciumento acaba sempre encontrando mais do que procura."
Mademoiselle Scudéry
Relaxem, não estou tendo uma crise de ciúmes. Nem andei sendo vítima de uma. É que nessa fase ultra sensível do meu espírito, ando discutindo temas complexos dessa nossa vida sentimental. E ciúmes foi um deles.
Escorpiana típica, tenho o ciúmes como um dos principais defeitos. Mas sofri tanto com um antigo amor, que tomei verdadeiro horror a qualquer manifestação de ciúmes. E fui criando uma verdadeira blindagem contra o sentimento. Nunca me permiti ter ciúmes. Rolava desconfiança, suspeita, incômodo? Melhor sair fora que alimentar a insegurança. Ciuminho mesmo só rolava de amigos. E só daqueles amigos do peito, sabe como é?
Mas aí, me apaixonei. Amor mesmo, daqueles que até dói quando estamos longe da pessoa amada. E, claaaaaaro, o ciúmes apareceu. Mesmo sendo só aquela pontinha que cutuca quando alguma coisa boba acontece. Aquela dorzinha que dá quando pensamos que nosso amor já foi feliz um dia com outras pessoas. Como assim, né? Feliz só comigo!!
Nesses momentos, entro em desespero. Ou entrava, pelo menos. Odeio sentir ciúmes. Faz com que eu me sinta fraca, vulnerável. Já fico achando que estou neurótica. E aí, fico lutando contra qualquer manifestação, por menor que seja. Ciúmes, nem pensar!! Já fico logo com medo de virar uma daquelas loucas (e loucos) que fuçam celular de namorado, checam informações, hackeiam emails, descobrem senha de messenger, aparecem no trabalho sem avisar...
Mas o lindo do meu marido – para me confortar, provavelmente – tem a teoria de que todo mundo sente (ou deveria sentir) ciúmes. Não aquele ciúmes patológico que faz a pessoa armar um barraco apenas porque o companheiro (a) sorreio para um estranho na rua. Ou que faz a pessoa vasculhar os objetos pessoais – computador, celulares, pasta de papéis, gavetas – a procura de alguma coisa que nem ela mesmo sabe o que é. Mas aquele ciuminho que bate lá no fundinho do peito, gritando “ei, peraí, esse aí é meu!!”, quando outra pessoa divide a atenção do seu amado. Nada doentio. Só o registro de que ele faz diferença.
Então tá. Vou aprendendo. Em todo caso, só para não passar em branco: “aquele lá é meu, ok?”
"Para que um bom relacionamento continue e seja agradável, é preciso não apenas suspeitar prudentemente como ocultar discretamente a suspeita."
Stendhal
