Por uma vida menos ordinária
Há três dias tento escrever alguma coisa sobre a mudança de emprego e, por tabela, dessa minha mudança de vida. Mas tá tudo tão confuso na minha cabeça que não tinha conseguido elaborar um texto coerente. Mas já consigo escrever, pelo menos, sobre as críticas que tenho recebido.
Saí de um lado da batalha para encarar o outro, exatamente oposto. Estou me sentindo meio assim, um atacante bem sucedido do Vasco que decidiu virar artilheiro do Flamengo. (Pronto, é a metáfora perfeita!) Parte da torcida vascaína, que gosta realmente do jogador e acredita que o cara é bom, entende. Fica chateada e tal, mas acredita que o jogador vai se dar bem em qualquer time que escolher jogar e, por gostar do cara, torce para que dê certo. De quebra, ainda se preocupa com a defesa do Vasco, agora que o cara foi para o time rival. Outra parte da torcida, só crítica. Fica puta, fala mal, diz que o cara é vendido, que na verdade sempre foi flamenguista... Desenvolve desprezo e ódio mortal.
Mas ninguém pára pensar em quais eram as condições de trabalho do tal jogador. Se o cara tava com salário atrasado há meses. Se o técnico planejava deixa-lo na reserva para colocar um cidadão recém-chegado do juniores. Ou se o plano de saúde do time não cobria as despesas com a filha pequena. Ou, sei lá, se ele encheu o saco de jogar em São Januário depois de tanto tempo e precisa de um desafio novo até mesmo para ter certeza de que joga bem.. Enfim, esquecendo a metáfora, tá bem difícil fazer uma mudança como essa, quando eu mesmo sou vascaína apaixonada. E me sinto um pouco assim, indo jogar no Flamengo. Pior que o telefone não pára de tocar, com gente querendo fazer os mais absurdos comentários...
