Por uma vida MUITO menos ordinária
Ah, vamos lá. Ser jornalista é lindo. Você tem a gloriosa missão de contar as pessoas o que acontece à sua volta. É fazer história. Nada se compara à adrenalina que toma conta dos jornalistas ao se deparar com uma notícia de verdade. Um 11 de setembro, uma final de copa do mundo, meninos queimando índio, a posse do Lula... Não importa o assunto, a (grande) quantidade de horas trabalhadas... Só importa a adrenalina que contamina até o ar que circula na redação. É lindo. O cotidiano já caótico de uma redação fica ainda mais alucinado quando, na verdade, tudo está correndo na mais perfeita ordem para, no dia seguinte, neguinho em casa ler uma edição emocionante.
O problema é que toda essa é beleza é rara. O dia-a-dia é completamente diferente. A rotina não tem nada de glamourosa. Ao contrário, é bastante dura. Mais de doze horas de trabalho diárias. A impossibilidade de encarar qualquer compromisso com horário fixo - quem não precisou remarcar o dentista por três vezes porque, exatamente na hora da consulta, o governador decidia dar uma coletiva, ou acontecia um acidente grave, ou os deputados agendavam um café da manhã com a bancada??!! Pouca grana. Pouquíssimo contato com a família - plantão no final de semana, escala de plantão em feriados prolongados, trabalho normal em feriados simples. Tudo isso para garantir que o jornal venda bem. E o lucro com as vendas?! Viram cotas para os sócios do jornal... hehehehe...
Por isso decidi experimentar uma vida normal, só para variar. Estar presente aos churrascos de família no domingo. Voltar a estudar. Marcar hora no salão de beleza e comparecer. Dormir bem. Conhecer uma forma de diversão abstrata para mim: o tal do happy hour. E, para completar, ter grana no final do mês. É tão difícil de entender assim?
