Enfim, balzaquiana convicta
Levei algum tempo, mas não posso mais evitar. Tenho de admitir. Fiquei velha. Sou uma balzaca. E não adiantam mais as tatuagens, os piercings, as roupas moderninhas. Me enquadrei devidamente na minha faixa etária.
Tive a confirmação na tarde de ontem. Saí cedo do trabalho e decidi ir ao cinema. Plena quinta-feira, sessão das 17h, dia tranquilíssimo para encarar um filminho relax. Como eu também estava a fim de comer num lugar legal, resolvi ir ao Pier 21. Tinha esquecido que estamos em julho, época de férias escolares. Resultado: não só o shopping estava abarrotado de pré-adolescentes, como metade dos cinemas passavam apenas Homem Aranha 2.
Fui atacada por uma crise de desânimo. A última coisa que eu queria era encarar um filme de super-herói ao lado de um bando de pirralhos, gritando, fazendo piadinhas e atirando coisas um no outro. Sem pensar duas vezes, dei meia-volta e parti para o Cine Academia. Afinal, lá durante a semana, jornalista paga meia-entrada.
Não podia ter escolhido melhor. Estacionamento vazio, nenhuma fila, cinema em completo silêncio. O público era discreto e educado. Estava prontíssima para assistir “Lugares Comuns” (um filme argentino sobre a crise no país), quando me deu um estalo. Eu - super à vontade, confortável e feliz – e um casal de gays éramos as únicas pessoas com menos de 40 anos entre os presentes. O restante do público era formado por coroas, casais de velhinhos e algumas madames.
Como é??!!! Além de estar assistindo filme argentino, eu ainda estava integrada em meio a um bando de quarentões e velhinhos??!!!! Estava. Completamente feliz. E ainda emocionada porque o perfume de um dos quarentões era o mesmo de um ex-namorado...
É isso, amigos. Michele no auge dos 30 anos.
