Boas Meninas

O dia-a-dia das meninas do bem.

25.4.05

Estudando para casar



Eu sei, estava todo mundo curioso. Eu também, admito. Nesse fim de semana, fiz o tal curso de noivos, preparatório para o casamento. Eu sinceramente, não sabia o que esperar. Temos todos aqueles preconceitos com igreja, padre, encontro de casais e similares, né? Então já fomos naqueeeeeela animação...

Mas tenho de admitir, em uma parte o curso é muito bom. Fala da realidade de uma relação a dois. E de toda a disponibilidade que vc precisa ter para que tudo dê certo. De como é preciso doação, dedicação, respeito, paciência, compaixão... aquelas coisinhas fundamentais que só quem já dividiu um teto com seu amor conhece a importância e a dificuldade. No final, o curso vale como uma boa sacudidela. Para a gente pensar e repensar se estamos fazendo o certo. E do jeito certo.

Mas como eu AINDA não virei uma carola por completo, aí vai a parte trash. Para vcs se divertirem um pouco:


Derrubando mitos

Eu tinha uma teoria, que jurava ser muito bem comprovada, de que não se conhece namorados, noivos ou maridos na night. O curso de noivas derrubou a minha tese. Entre os 13 casais noivos, de aliança no dedo e casamento marcadíssimo, um havia se conhecido na Micarecandanga, outro numa festa junina, outro numa festa em plena Academia de Tênis. Fiquei esperando o que teria se conhecido em uma Quarta Vinil do Gate´s. Tava lá gente, para quem quiser constatar. Meninos e meninas que trocaram olhares em baladas fortes e terminaram ali, na capela do Lago Sul, ouvindo palestras sobre a importância de se doar numa relação. Ainda há esperanças.

Para ficar chocada

A faixa etária média dos casais no curso de noivas era de 25 anos. Sério. Eu fiquei me sentindo a mais tia de todas. Um bando de pirralha, com 20, 23 anos, noivas e de casamento marcado há anos. O que aconteceu com a juventude de hoje????

Momento “ninguém merece”

Indiscutivelmente, o momento mais “voltamos à idade média” do curso foi a palestra do ginecologista. Plena manhã de domingo, solzão lá fora, e o doutor começou a aulinha sobre como são os órgãos reprodutores masculinos e femininos. No meio da explicação, 15 minutos perdidos na descrição do hímem. Himem? Fala sério, isso ainda existe? Alguém lá lembrava como era? Eu, sinceramente, nem tinha mais registro de que o tal “selinho” existia no mundo...

Adeptos de Ratsinger

A manhã de domingo foi realmente a melhor seleção do curso. Depois da aulinha de biologia básica, o médico começa a falar de métodos anticoncepcionais. Camisinha? Artificial e desnecessário. DIU? Praticamente um abortivo. Tabelinha? Não se pode confiar. Pílulas? Artificial e agressivo para o corpo da mulher... Solução? Abstinência!!!!

(Sejamos justos – a solução apresentada foi fidelidade/método do muco servical. Se quiserem detalhes, tenho o folheto em casa!)

Terrorismo total

O curso termina com um vídeo sobre o aborto. Beleza, eu também sou, por princípio, contra o aborto. Mas ninguém precisa ver fotos de fetos abortados por mutilação, envenenamento ou sucção, né? Videozinho científico no nível daqueles “A face da morte” (alguém se lembra?). Óbvio que, como mulherzinha grávida, pedi altas e fui embora.



P.S. Para quem acha que a peregrinação católica acabou, quarta-feira tenho entrevista com o padre da “minha paróquia”. Para saber porque eu quero casar. Mais notícias em breve.

13.4.05

Noiva à beira de um ataque de nervos



Estou escrevendo aqui para me solidarizar com todas as noivas que enlouqueceram, arrancaram o cabelo ou tiveram uma crise de estresse às vésperas do casamento. Tenho de admitir, eu estou assim!! Virei uma pessoa monotemática. Acordo pensando no casamento, durmo pensando no casamento, é só nisso que o meu cérebro pensa quando estou parada. E não pensem vcs que estou pensando na parte linda de entrar na igreja vestida de noiva, em jogar buquet, em beijar noivo... NÃO!!!! Eu só penso em como vou dar conta de tudo isso!!!!!!!!!!

Para quem ainda não sabe, é caso no religioso daqui a um mês. Já estou casada no civil, mas como menina de uma tradicional família baiana não escapei de receber as bênçãos da igreja. Vcs podem considerar isso quase um final feliz para esse blog – de solteira na guerra para noiva à beira do altar...

Enfim, não vamos ter uma festona, não vamos ter uma megaevento, mas a cerimônia simples, discreta e familiar que planejei gasta tanta energia, neurônio e dinheiro como uma festa para mil pessoas!! Até agora não fechei com a floricultura que fará a ornamentação da igreja. Bobagem, vcs podem dizer. Bobagem nada, noiva que se preza, faz isso com seis meses de antecedência. E ainda tem meu vestido, meu buquet, a roupa do noivo, da daminha... caramba!! Um mundo de coisas que eu não fazia idéia sequer que existia. E se vcs querem uma boa metáfora, acho que entrei num poço sem fundo... hehehe.

Em toda essa loucura – que me fez até esquecer do trabalho, das ansiedades com a minha gravidez e da minha casa ainda sem móveis – eu tive raros momentos em que lembrei que sou uma noiva. Hoje foi um deles. No meio da loucura para escolher arranjos de cabelo (vcs imaginam que uma enfeitezinho de metal com florzinhas, simples, é alugado por R$ 100??!!), coloquei um véu para experimentar. E olhei no espelho...

Gente, eu vou casar!!! Vcs têm noção do que é isso? Se têm, me contem, porque até agora, ainda não realizei a situação. Eu nunca me imaginei entrando numa igreja de véu, grinalda e cia. Nunca sonhei isso. Sequer achava que seria possível de acontecer. E agora... comecei a ficar ainda mais nervosa!!!

8.4.05

Amélia que era mulher de verdade...



Oi, gente, voltei.

Desculpem o tempo sem atualização. Fiquei desconectada por quase duas semanas. Estava enlouquecendo, claro. Mas já voltei ao mundo real. (sim, porque percebi que aqui sim, é o meu mundo real... hehehe)

Acabei de me mudar. Maravilha!!! O apê novo é enorme, tem uma cozinha linda e acabou me transformando na mais nova dona de casa dedicada de Brasília. Sério! E isso – aliado ao tempo em que passei longe de vcs – me fez repensar toda a minha vida. E concluí que esse papo de mulher moderna e independente é a maior roubada. Sigam meu raciocínio:

Somos criadas para sermos boas profissionais. Uma cobrança familiar e social para que estudemos, façamos vestibular, escolhamos uma profissão promissora. Depois disso, todo mundo espera que sejamos independentes. Como isso custa dinheiro e bastante esforço, trabalhamos como loucas, absolutamente escravas do trabalho para nos reafirmarmos diante de chefes e colegas. Aí, o reconhecimento vem (claro, somos competentes, em nossa maioria). Dinheiro, reconhecimento profissional, convites, respeito. Aí...

Começam as cobranças para que sejamos – além de tudo o que já conseguimos – mulherzinhas de família. Todo mundo (e nós mesmas também, claro) começa a cobrar um namoro sério, um casamento, filhos. E se por acaso encontramos isso, o marido quer que continuemos a profissional bem-sucedida que ele escolheu para casar (e que ajuda nas despesas, óbvio). Mas ele – e toda a galera que nos rodeia, família, e nós mesmas outras vez - também quer casa linda, vida organizada, filho bem cuidado...

Viram a armadilha? A gente acaba fazendo as duas coisas!!!!!! Só nos ferramos.

Exatamente por isso, decidi que vou aproveitar duas coisas da vida moderna: a emancipação sexual e a igualdade entre os sexos. De resto, quero ser mulherzinha anos 50. Dona de casa, com tempo para tomar chá com as amigas, expert em pães assados na hora e que o maior dilema é escolher a nova cor do sofá!!!!!!!!!