Boas Meninas

O dia-a-dia das meninas do bem.

9.8.04

E vejo flores em você...



Depois de um fim de semana de muito chocolate, muita leitura de blogs (nada como a desgraça alheia para amenizar a nossa) e muita conversa com amigos, começo a me sentir melhor. Tão melhor que até refiz o post indignado que colocaria aqui, se minha internet não tivesse dado pau ontem à noite. Melhor assim. Posso contar o que rolou com muito mais imparcialidade.

Vamos lá.

Meu último príncipe encantado em potencial – o tal vascaíno que me proporcionou um primeiro encontro perfeito semana passada - tinha um defeito gravíssimo. Terminara um namoro de quatro anos há apenas um mês. Trazia estampado na testa um néon gritando “roubada!”. Mesmo assim, eu, sócia-honorária do Clube das Mulheres Otárias, me deixei convencer pelos meus amigos-pollyana de que poderíamos ter uma chance. Diante da quantidade de exemplos que me apresentaram, de gente recém-saída de um relacionamento que se apaixonou por uma nova pessoa, decidi ver no que dava. E aceitei o segundo encontro com o pseudo-príncipe.

Vai ver até poderia ter dado certo, mas o moço descobriu que a ex está namorando. Caiu na maior deprê e, óbvio, desapareceu. (Não, ele não foi tão civilizado a ponto de me explicar o que estava acontecendo. Como boa jornalista, descobri isso por caminhos tortuosos, hehehe).

Quando eu soube, fiquei arrasada, me sentindo a mulher mais panaca do mundo. Mas, passado o choque inicial (que admito, me levou para o fundo do poço com a conclusão de que, DE NOVO, tava tudo dando errado comigo), consegui perceber que pior do que eu estava ele. Ser dispensado de um namoro de quatro anos e, depois de apenas um mês, saber que a ex já exibe um novo amor é barra. Fiquei pensando no meu ex – nego lindo, desculpa por todas as bobagens que já fiz com vc, viu? – que passou por situação parecida e até hoje não me perdoa por isso. E, claro, eu estava sendo uma idiota na época. Fiquei pensando em como é uma droga vc querer tanto ficar com alguém e saber que essa pessoa está tentando ser feliz com outro amor...

Enfim, me deu um puta aperto no coração por ele, que parece ser um cara super legal, além de lindo, educado, charmoso, gostoso e inteligente (noooosssa, vou mandar ele ler isso, hehehe...). E acabei telefonando, assim como quem não quer nada, só para dar um apoio moral. Não contei que sabia o que estava rolando, claro, mas fui a menina mais legal do mundo. Até propus que ficássemos amigos.

Depois de tudo isso, nesse meu surto de generosidade e compreensão com a humanidade, reitero minha tese de que, em geral, não há mocinhos ou bandidos em relacionamentos. Há, sim, desencontros e circunstâncias. Muitas vezes, encontramos alguém super legal, mas simplesmente não estamos prontos. Ou o alguém não está. E a oportunidade passa. Até que uma hora, nós e o alguém estamos na mesma sintonia. E pronto. Fez-se o amor.