Meninas superpoderosas
Hoje é o último dia da Cici na cidade. Vocês imaginam como estou me sentindo, né? Engraçado porque nos últimos anos ela se transformou em uma presença tão constante e tão óbvia na minha vida que não consigo imaginar como será quando milhares de quilômetros nos separarem – o que acontecerá em menos de 48 horas. Não sei como será não ligar para ela no final da manhã para marcar nossos almoços básicos. E almoçar com ela no Green´s. E tomar o tradicional expresso no Martinica do outro lado da rua. Não sei como será não ligar para ela à tarde, para contar o telefonema que acabei de receber, a bronca do chefe, o elogio, a piadinha. Ou simplesmente para marcar o que vamos fazer à noite.
Não sei como vou conhecer lugares novos na cidade, sem a minha amiga-descobridora-de-point-descolados. Acho que vou morrer indo aos mesmos lugares sem ela para me levar ao Azulejaria, à Oca da Tribo, à Querubina, ao Antiquarium, ao Your´s, a BPM... Não sei com quem vou trocar roupas em todas as grandes festas, quando já fazíamos produções contando com a peça do armário alheio. Ou pelo menos com um bom conselho sobre o que usar. Afinal, a gente sabe de cor o guarda-roupa uma da outra. A gente não só estava juntas na maioria das compras de roupas, como temos gostos muito parecidos – clássica história de quando eu fui ao BSB Mix sozinha, me apaixonei por uma blusa, e ela, momentos depois, foi lá sozinha e comprou exatamente a mesma blusa....
Mas, mais do que essas bobagens maravilhosas de melhores amigas, não sei como vou sobreviver sem a sensatez e a objetividade da Cici. Caramba, foram dez anos de terapia intensa ao lado dela. Como ela mesmo diz, eu sou louca. Inconsequente, irresponsável e super passional. Só ela conseguia me dar freio, me dar rumo, me dar bronca. Nesses anos todos, abri para ela meu coração como não abri a mais ninguém, nem mesmo ao meu querido ex. Aliás, graças a elas, sobrevivi às crises do casamento. E depois, ao fim do casamento.
Sei que amizade como essa não acaba. E que a decisão dela de ir embora é a mais acertada no momento. Acredito que, no fundo, ela passou os últimos anos se preparando para algo assim. Eu é que não. Eu é que não estou preparada para isso. Bom, enfim, gatinha, encontro você em NY. Te amo.
