Nem discuto que minha terra é um pedaço do paraíso na terra. Mas como em todo lugar povoado por gente, aqui também tem cenas surreais (e, muitas vezes, irritantes, admito). Confiram algumas que presenciei nos últimos dias:
Praia de Aleluia, sábado, 10h
Estamos todos em uma das barracas mais badaladas da orla e eu peço o cardápio.
"Em um minuto", responde o garçom.
Dez minutos se passam e nada. Pedimos o cardápio de novo. Mais dez minutos e nada.
"Vem cá, tem cardápio aqui?", pergunto, já desolada.
"Tem sim, vou trazer", garante o terceiro garçom.
Quase 40 minutos depois do primeiro pedido, o cardápio acaba chegando. Um passeio pela barraca e descobrimos o porque da demora. TODOS os garçons estavam participando de uma reunião com a gerência. O assunto: as reclamações de péssimo atendimento na barraca no dia anterior. Brilhante.
Pelourinho, domingo, 11h
Estamos numa lanchonete bonitinha, em frente à igreja de São Francisco. Avaliação empatada - o cardápio tinha tradução em francês, o que me divertiu muito, mas o sorvete de tapioca parecia mais leite com açúcar, o que me fez jogar uma casquinha inteira fora. Estamos pagando a conta, esperando a dona do "estabelecimento" nos entregar o troco, quando chega uma funcionária, aparentemente atrasada. A chefe dela, com nosso troco na mão, nos larga no balcão e começa a dar uma puta bronca na moça. Pensem! A gente ali, parado, sem troco, e a menina tomando o maior sabão da vida dela. Sem comentários.
Terminal de Bom Despacho, Ilha de Itaparica, 15h
Minha prima precisava comprar uma passagem para Itaberaba, região próxima à Chapada Diamantina. Foi no primeiro guichê de empresas de ônibus:
"Por favor, vcs têm passagem para Itaberaba?"
"Não, temos para Itabuna (cidade no sul da Bahia)."
Ela foi ao segundo guichê:
"Vcs têm passagem para Itaberaba?"
"Não. Só para Itapetinga"
Ao terceiro:
"Oi, vcs têm passagem para Itaberaba?"
"Não, temos para Itamuru..."
"Peraí, moço. Eu eu quero ir a um ponto geográfico específico e não a qualquer cidade baiana que comece com ITA!!!"
Ilha de Itaparica, quarta-feira, 16h
Maior calorzão e essa mesma prima, Tizy, decide tomar um milkshake de ovomaltine do Bobs (é, aqui na Bahia também tem Bobs!!). Apenas uma moça atende a todo mundo. E uma outra está parada, de braços cruzados, assistindo a pequena fila que começa a se formar. "Ei, você não pode nos atender?", pergunta minha prima, já cansada de esperar naquele calor. "Não, eu só estou aqui para mexer na máquina de refrigerante". Então tá.
Arauá, Ilha de Itaparica, segunda-feira, 14h
A gente chega na praia, senta na barraca e pede uma cerveja. O garçon anota, sai e volta com a notícia.
"Olha, já tinha uma cerveja registrada nesta mesa, da pessoa que tava sentada aqui antes", diz, em tom solene.
"E?", perguntamos sem sequer entender o que ele queria dizer.
"É, já tem uma cerveja nesta mesa...", começou a hesitar.
"Ué, o que a gente tem a ver com isso? Vc quer que a gente troque de mesa?!?"
Ele vacila, olha pros lados e pro mar, procurando a tal pessoa que provavelmente deu o calote nele com a cerveja anterior, e desiste.
"Tá bom, vou registrar só a cerveja de vcs mesmo".
Depois dessa, só nos restou agradecer por ainda encontramos gente generosa neste mundo!!!!!