Depois do pôr-do-sol

Ok, sei que estarei quase um mês atrasada nos comentários, mas não pude resistir. Ontem assisti Antes do Pôr do sol. Adorei, sinceramente. E mais uma vez pude comprovar que sou uma pessoa que acredita no amor. (Bom, a partir de agora, quem não assistiu o filme não deve continuar lendo...)
Da primeira vez, eu tinha certeza de que os dois iriam se encontrar em seis meses. Pô, quem ia perder uma chance dessas de viver uma história cinematográfica? Mas aí, eles não se encontram. E nove anos se passam. Concordo com todo mundo que diz que é muito tempo para se manter uma história em suspenso, que as pessoas mudam muito nesse período, que eles perderam a chance. Mas vamos analisar os fatos do filme.
Muita coisa poderia acontecer nesses nove anos que se passaram. Eles ganhariam uma carreira, experiências, desilusões. Mas poderiam ter encontrado o grande amor da vida deles, casado, tido filhos, sido felizes, separado, tentado de novo. Mas não, os dois viveram sob a sombra desse amor mal resolvido. Acreditando o tempo inteiro que, sim, aquele era o grande amor da vida deles. Daí, têm de novo a chance de tentar. Vcs desperdiçariam?
Fico pensando que eu sempre acreditei mesmo no amor. Não apenas agora, que vivo essa fase “o amor é lindo”, casada com um cara que é ainda mais do que eu sonhei como perfeito (eita, marido, maior apaixonada, hein?!). Mas fico pensando nos momentos da minha vida em que fui corajosa e ousada. E em como eles deram certo, ainda que o resultado não tenha sido definitivo. De como me orgulho de cada um deles. Em compensação, tive alguns momentos de covardia, em que optei pela segurança, com medo de me arriscar. E, nesses casos, paguei o preço de arrastar por anos a sombra do “e se eu tivesse...”.
Então, vamos combinar. Se vc tivesse a oportunidade de apostar numa história, que poderia ser a “história de amor da sua vida”, vc a deixaria passar?
PS. A propósito, hoje faço dois meses de casada!!

"O ciumento acaba sempre encontrando mais do que procura."
Mademoiselle Scudéry
Relaxem, não estou tendo uma crise de ciúmes. Nem andei sendo vítima de uma. É que nessa fase ultra sensível do meu espírito, ando discutindo temas complexos dessa nossa vida sentimental. E ciúmes foi um deles.
Escorpiana típica, tenho o ciúmes como um dos principais defeitos. Mas sofri tanto com um antigo amor, que tomei verdadeiro horror a qualquer manifestação de ciúmes. E fui criando uma verdadeira blindagem contra o sentimento. Nunca me permiti ter ciúmes. Rolava desconfiança, suspeita, incômodo? Melhor sair fora que alimentar a insegurança. Ciuminho mesmo só rolava de amigos. E só daqueles amigos do peito, sabe como é?
Mas aí, me apaixonei. Amor mesmo, daqueles que até dói quando estamos longe da pessoa amada. E, claaaaaaro, o ciúmes apareceu. Mesmo sendo só aquela pontinha que cutuca quando alguma coisa boba acontece. Aquela dorzinha que dá quando pensamos que nosso amor já foi feliz um dia com outras pessoas. Como assim, né? Feliz só comigo!!
Nesses momentos, entro em desespero. Ou entrava, pelo menos. Odeio sentir ciúmes. Faz com que eu me sinta fraca, vulnerável. Já fico achando que estou neurótica. E aí, fico lutando contra qualquer manifestação, por menor que seja. Ciúmes, nem pensar!! Já fico logo com medo de virar uma daquelas loucas (e loucos) que fuçam celular de namorado, checam informações, hackeiam emails, descobrem senha de messenger, aparecem no trabalho sem avisar...
Mas o lindo do meu marido – para me confortar, provavelmente – tem a teoria de que todo mundo sente (ou deveria sentir) ciúmes. Não aquele ciúmes patológico que faz a pessoa armar um barraco apenas porque o companheiro (a) sorreio para um estranho na rua. Ou que faz a pessoa vasculhar os objetos pessoais – computador, celulares, pasta de papéis, gavetas – a procura de alguma coisa que nem ela mesmo sabe o que é. Mas aquele ciuminho que bate lá no fundinho do peito, gritando “ei, peraí, esse aí é meu!!”, quando outra pessoa divide a atenção do seu amado. Nada doentio. Só o registro de que ele faz diferença.
Então tá. Vou aprendendo. Em todo caso, só para não passar em branco: “aquele lá é meu, ok?”
"Para que um bom relacionamento continue e seja agradável, é preciso não apenas suspeitar prudentemente como ocultar discretamente a suspeita."
Stendhal


