Boas Meninas

O dia-a-dia das meninas do bem.

22.7.04

Com tradição não se discute




Aniversário do meu cunhado, decidimos sair à noite para comemorar. Como bom baiano, ele quis ir a um boteco, tomar um chope. Aparentemente tranqüilo, né? Não! Como anfitriã e cicerone de alto nível, entrei em pânico. Como assim comemorar 30 anos em um boteco??!!!?? Ainda mais na companhia da minha respeitável mãe e da minha inocente sobrinha??!!!

Tentei de tudo para demovê-los da idéia. Ofereci restaurante japonês, comida mexicana, uma boa pizzaria, um café badalado. Nada. A trupe estava irredutível. Parecia que eu era representante única da ala esnobe da família. Ninguém queria gastar dinheiro, tava todo mundo com fome e não queriam ir a lugar chique. No final, o aniversariante encerrou a discussão: ele tinha direito de escolha, não? Tinha mesmo. E eu tive de me render... para a segunda etapa de desespero.

Para onde levaria esse povo?? Como boa menina que sou, não freqüento botecos. A não ser nas saídas despretensiosas, em geral com amigos homens. Não conseguia pensar em nenhum lugar interessante. Depois de vários telefonemas e de um verdadeiro mapeamento da cidade, entreguei os pontos. Decidi levá-los ao bom e velho Beirute. Afinal, já que eles queriam boteco, pelo menos iriam ao mais tradicional de Brasília.

No caminho, ainda relutante, fui preparando o terreno. “Olha só, lá é meio botecão mesmo, sem glamour, e tal. Mas tem um parquinho, a comida é boa, é meio boêmio, fica do ladinho de casa...”

Com o povo todo super animado, cheguei no Beirute às 20h. Lei de Murphy básica, o bar estava lotado. Eu tinha esquecido que era dia de jogo do Brasil. De quebra, ainda estava um frio de lascar. “A noite promete”, reconheci, já culpada por ter estragado a noite de 30 anos do meu cunhado.

Pois bem, o Beirute surpreendeu. Ou será que foi a minha família?? Meu cunhado adorou o chope e o ambiente e minha mãe achou a comida deliciosa e se divertiu identificando TODOS os casais gays em um raio de 100 metros. Já minha irmã – a mais relax de todas – adorou o clima informal do lugar e minha sobrinha linda... bom, essa precisou ser arrancada a força do parquinho!

Resultado: agora que descobri esse lado povão da minha família, já estou programando um almoço no Faisão Dourado!!!