Boas Meninas

O dia-a-dia das meninas do bem.

16.7.04

TPM ou o dia em que príncipes viram sapos


 
Acordei de péssimo humor. Aliás, ando mal humorada há umas 36 horas. Só pode ser TPM. Mas, enfim, amanheci numa sexta-feira que promete. Primeiro, acordei atrasada. Claaaaro. Depois de tantas noites mal dormidas e um princípio de gripe, cheguei ao fim da semana acabada. Tentei tomar café da manhã, mas descobri que não tem comida na minha casa. Nem mesmo as compras de supermercado feitas pela minha mãe (ela, minha irmã e minha sobrinha estão lá comigo esses dias) me ajudaram. Como velha solteira e chata que sou, só tomo leite desnatado, suco de uma marca específica, requeijão light, pães integral. Enfim, fiquei sem café da manhã.

Antes de sair, outro drama: estou num "bad hair day" completo. Nada amansou meus fios ruivos rebeldess, meio enrolados, mal escovados, com tintura saindo. Enfiei o óculos no cabelo, coloquei uma liguinha providencial no bolso para qualquer emergência, respirei fundo e fui enfrentar a vida lá fora.
Mas, sabe como é, mau humor só piora com o tempo. Mal cheguei no trabalho e – óoooobvio – problemas me esperavam. A Rede Globo (malas!!!) está no aeroporto à espera do meu chefe e dos companheiros de viagem dele. Péssimo sinal. O diagramador do jornal que preciso fechar não apareceu para trabalhar. E estão fazendo uma obra na sala ao lado. Dá para acreditar?!

Imaginem que estou escrevendo isso antes das 11h da manhã. Ainda me restam nada mais nada menos que umas 12 horas do dia para o meu mau humor se transformar em crise depressiva ou ímpetos homicida. Tenho um longo dia pela frente.

E tudo isso por quê? Por causa de hormônios. Fisiológicos e emocionais. Tive uma noite absolutamente surreal ontem, simplesmente porque, em algum momento da evolução humana, homens e mulheres perderam a capacidade de se comunicar. Vivemos a base de indiretas, interpretações de sinais, análise de comportamento... enfim, nos comunicamos das formas mais complexas possíveis! Uma frase objetiva e clara???? Nem pensar. Totalmente fora de cogitação.

E agora estou eu aqui, sem conseguir sequer avaliar se o que aconteceu comigo foi bom, foi maravilhoso, foi ruim ou foi catastrófico.

Os detalhes na verdade, não importam. Fato é que, depois de velha, perdi a capacidade de jogar. Não tenho saco, não tenho paciência, não tenho talento para os testes, as provocações e os sinais de um jogo de conquista. Quero um relacionamento que já venha pronto. Pronto, mas não desgastado. Quero que, como num passe de mágica, estejamos os dois apaixonados, absolutamente sintonizados, em uma conexão perfeita. Como antigos amantes. Só que, ao mesmo tempo, quero a sedução da conquista, a aventura da descoberta, a excitação do novo. Como um novo namorado.

Enfim, estou atrás do impossível. De um príncipe encantado ainda mais perfeito do que o sonhado na adolescência. Mas que chegue agora, porque estou ficando velha.

E não adianta vcs, meus amigos, me mandarem ter calma. EU TENHO CALMA. Eu estou relaxada. As coisas estão acontecendo. Mas eu tenho direito a um desabafo, ao menos, em meio a tantas expectativas alimentadas pela sociedade durante nossa vida inteira, né? São pelo menos uns 20 anos de cinema, novelas e sitcons, condicionando mulheres otárias (como eu) a esperar um amor perfeito, cada vez mais criativo e emocionante. Tenho tantas cenas de ficção, com as declarações de amor perfeitas, registradas em minha memória, que seria praticamente impossível para um cara me impressionar com algo novo. E aí? E aí, que o choque de realidade me faz ficar sozinha. E isso não é fato novo. Essa minha expectativa de perfeição provoca uma inquietação, que tem sido fatal para meus relacionamentos.

Ok, isso já virou um livro. Mas pelo menos estou me sentindo melhor. Vamos sobreviver.
Gustavo, vc entende agora o meu medo da idealização?