Amanhã será um novo dia...
Cici foi embora. Ponto final. A vida continua. Ela feliz lá, eu tentando por aqui.
E é exatamente sobre felicidade que eu quero falar. Nesse processo ininterrupto de descobertas e transformações que assolou a minha vida nos últimos tempos, percebi um erro de existência seríssimo. Eu vivo à espera do amanhã. O tempo todo. Nas coisas mais simples e nas mais profundas, eu vivo à espera do futuro. Torcendo para que o presente passe correndo para o amanhã virar hoje e eu voltar a esperar pelo tempo seguinte.
Não é viagem. É uma situação simples. Eu começo a semana na expectativa da festa incrível que vai acontecer sábado. Ou do encontrinho programado para terça. Ou daquele evento importante do trabalho previsto para quinta. E por aí vai. Começo o mês esperando a data do pagamento. Ou o aniversário de alguém. Ou o dia de uma viagem. Começo o ano pensando nas férias. No carnaval, no São João, no meu aniversário, no Natal, nas férias de novo. E com a vida, isso fica ainda mais grave. Espero o novo emprego. Espero o último e definitivo amor. Espero a descoberta da nova vocação. Espero a grande viagem.
Tudo até estaria bem se isso ficassem apenas no campo dos planos e dos desejos. O problema é que meu presente passa a existir em função desse tempo futuro. E, se isso passa despercebido no período de espera da próxima festa, pesa para caramba enquanto espero um novo amor. Ou a tal grande viagem.
Tenho de aprender a viver o momento. Porque é ele, sim, que faz a minha vida. É nele que se guarda a felicidade. Não posso ser feliz amanhã. Só posso ser feliz hoje. E ontem, se não deu para ser feliz, virou tempo perdido.
Por isso, não quero mais esperar pela minha própria vida. Não quero viver de expectativas. Tenho 30 anos. Já tô passando a metade do caminho. Vivi muita coisa, claro, mas não dá mais para gastar esse tempo restante à espera de algo. É hora de aproveitar o que tenho hoje. De ficar feliz com o texto que escrevo neste momento. Com o telefonema que atendo agora. Com a música que escuto enquanto penso isso tudo (licença poética – estou no trabalho e o rádio está ligado na CBN, fazer o quê...).
