Aprendendo a ser zen
Desculpa o sumiço, mas estou sem tempo. Por motivos óbvios. Enfim. Vai passar.
Mas hoje decidi escrever sobre um traço da minha personalidade que estou me esforçando para melhorar – para não dizer acabar de vez. Quero deixar de ser imediatista e de querer sempre tudo perfeito. Quero virar uma pessoa zen, paciente e compreensiva com os obstáculos que a vida coloca à nossa frente. Praticamente uma budista.
Isso vale para tudo. Em relacionamentos, por exemplo. (desculpa, Zethi, mas vou voltar a falar de homens, ok?). Como eu disse em posts anteriores, depois de 30 anos de cultura moderna, eu tenho mil modelos do que considero um relacionamento perfeito. Vc encontra o cara e ele é maravilhoso, diz coisas incríveis e engraçadas, te trata como princesa, manda flores no dia seguinte, te liga para dizer que está com saudade, faz surpresas criativas, te dá presentes caros, te leva a lugares badalados, é sensível... Tenho registrado na minha mente centenas desses modelos de perfeição, um para cada momento, cada ato, cada silêncio. Só que óbvio, é impossível reuni-los em um só cara. Simplesmente impossível.
Daí o que acontece? Eu fico logo frustrada. Basta um desses atos que eu tenho como perfeitos não acontecer para eu já achar que nem tudo é tão legal, que na verdade é estou numa grande roubada... (ah, dêem um desconto, como escorpiana, sou dramática por natureza). Aliado a isso vem minha incontrolável ansiedade. O cara tem de ligar no dia seguinte, tem de dizer tudo o que eu quero ouvir, ou já acho que ele não vale a pena... Fico repetindo esse comportamento o tempo todo. E me angustiando.
O lance é que nem sempre as coisas acontecem do jeito que eu quero, no momento em que quero, com os sinos badalando e os fogos artifício estourando, como eu planejo. Cada situação é única, tem um ritmo, uma urgência ou uma calma que é própria, que não se repete nem tem fórmulas definidas. E eu preciso aprender a lidar com isso.
Dia desses, eu tive uma noite bem legal com um cara que há um tempo achava interessante. Eu torcia por uma oportunidade com ele. Acabei tendo, super por acaso, e foi tudo muito bom. Ele correspondeu, sim, a muitas das minhas idéias de primeiro-encontro-perfeito. Mas o cara tava passando por uma crise pessoal e acabou não me proporcionando o dia-seguinte-perfeito. E eu pirei. Nem parei para avaliar – como estou fazendo agora – o momento difícil que ele enfrentava. Nem considerei o fato de que nem todo mundo tem a mesma urgência que eu para as coisas. Sofri à toa. Me frustrei à toa. Considerei o cara um canalha. Depois, analisando com calma a situação, vi que ele foi bem legal comigo. Antes, durante e depois. Eu que não tive paciência para esperar tudo ficar bem. E desse mal – não saber esperar – eu já sofri mil vezes. E já coloquei muita coisa a perder. E já precipitei muitos estresses.
Por essas e outras, decidi ficar mais zen. Deixar os caminhos seguirem o curso natural sem tanta interferência. Aprender a esperar as coisas se ajeitarem. A pressionar menos. E me angustiar menos também. Enfim, quero aprender a ter paciência.
Torçam por mim.
