Boas Meninas

O dia-a-dia das meninas do bem.

21.9.04

Uma noite de patrícia



Meu período de recolhimento acabou.
Voltei a encontrar meus amigos, sair de casa e encarar baladas. Hoje, fui assistir Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança outra vez. Lindo, lindo. Ainda melhor na segunda vez. Ontem, passei o dia com Tizy e Fê. Fofocas, gracinhas e apoio de amigas. Perfeito.

Mas o meu retorno à vida social foi triunfante. Encarei uma noite de sábado na Macadâmia. Não sabem o que é isso??? Ah, pelo amor de Deus, cadê a cultura playboy de vcs? Nem parecem ser brasilienses... Bom, a culpada disso foi a Fê, que praticamente me obrigou a acompanhá-la a uma festa de aniversário na boate da moda da nossa capital. Como amiga generosa que sou, topei. E agora, claro, ela me deve um favor eterno. De quebra, ainda tive a oportunidade de conhecer a tal boate, que cobra escandalosos R$ 25 reais de entrada, por meros cinquinhos. Não foi uma noite tão perdida assim.

Macadâmia I – Os Preparativos

O problema é que, ao consultarmos minha querida prima patty-freqüentadora-da-tal-boate sobre que roupa usarmos, eu e a Fê descobrimos que não tínhamos nada à altura do lugar. Resultado? Precisamos fuçar os guarda-roupas das nossas respectivas primas patricinhas – sim, elas são fundamentais para a sobrevivência de uma boa menina – para encontrarmos nossas fantasias. Eu, de calça e blusa pretas, super social, colarzinho patty e Amarige (parêntese especial, amarige é o perfume usado por todas as patrícias em guerra. Temos uma grande desconfiança de que é feito à base de feromônios, porque o efeito no sexo oposto é indiscutível). Ela, de calça preta e frente única dourada. Pois é, vcs perderam a Fê de frente única dourada. BRILHANTE.

Macadâmia II – O ambiente

Montadas a caráter e acompanhadas do André, chegamos a tal boate. O lugar é legal, espaçoso, decoração bonita. E uma pista de dança enorme. Um desperdício... Enfim. O problema começava com o som. Aquele house insuportável com tanta mixagem que vc sequer reconhece a música. E continuava com o público. Uma pirralhada sem fim, uma leva de mulher escovada com minissaia e escarpin, e outra leva de homens sarados de topete no cabelo e blusas coladas... ai, meu deus. Ninguém merece!!
Não bastasse isso, imaginem a quantidade de cenas freaks que fomos obrigadas a assistir. Uma pirralha de vestido colado azul de lurex (aquele pano brilhante com fios prateados) e uma antena na cabeça. Isso mesmo, anteninhas fosforecentes na cabeça!!! Dá para acreditar?! Uma loura gorda, de tubinho preto, dançando como uma verdadeira striper em cima do palco (depois, funkeiras é que são baixo nível...). Uns amigos, se achando super divertidos, dançando “sensuais” no meio da pista de dança... (típicos nerds que nunca encaram pistas de verdade).
OK, OK. Ou eu estou cada dia mais velha, chata e preconceituosa, ou Brasília não tem mais nenhum futuro!

Macadâmia III – O show

Imaginem que esse foi o melhor momento da noite. A tal bandinha, Mr. Maggoo, com o vocalista mais empolgado dos últimos tempos, até que não era ruim. Tudo bem, tocava o pop-rock nacional mais óbvio do mundo – com direito a Meu Erro e Óculos – mas eu, enquanto boa menina pop – curti. Principalmente os hits do Frejat e do Rappa...

Macadâmia IV – A influência do André

Bom, apesar da descrição acima, de eu estar com crise de garganta, e de nossos mega salto altos estarem nos matando, o saldo da noite foi positivo basicamente por causa do André. O lindo-pollyanna conseguiu, em poucas horas de conversa, derrubar dois dos conceitos mais arraigados da minha vida. O primeiro: a pirralhada que nos rodeia. Astutamente, ele me alertou para o fato de todos nós aparentarmos menos do que nossas idades reais. Ele, por exemplo, tem cara de baby de 21 anos. A Fê também. E tantos outros. Tive de concordar, aparência engana. Até posso estar fazendo um julgamento errado do povo à minha volta. Ponto para ele. O segundo: diante das minhas queixas sobre a falta de homens altos em Brasília, ele argumentou que caras da nossa altura também podem ser legais. O encaixe no abraço, por exemplo, é mais perfeito nos mais baixos. E, afinal, queremos um homem, não um travesseiro, né? Ponto de novo para ele. Mudou a minha vida.

Beleza, mudou minha vida mas não a ponto de eu virar frequentadora da Macadâmia, ok? Foi experiência antropológica, devidamente registrada aqui. Uma nova oportunidade, talvez na próxima encarnação...