Boas Meninas

O dia-a-dia das meninas do bem.

28.11.04

Baladeira velha de guerra

Com ET de nave pronta para voltar ao seu planeta natal e namorado-quase-noivo no Rio de Janeiro, decidi ontem encarar uma noite de balada. Admito, andava meio seca por uma pista de dança. Naquele estágio em que a gente já balança o corpo até com jingle de propaganda. Além disso, seria muito melhor passar a noite queimando calorias embaixo de um estrobo do que em casa, morreeeeendo de saudade do meu lindo.

Decisão tomada, primas seduzidas, encaramos uma festa de família para animar e, de lá, fomos à Macadâmia. Podem rir, guerreiros profissionais, mas eu estava afim de ouvir hip-hop, preferi ir na certa, onde eu sabia que encontraria uma seleção de Usher-Eminem-Beyoncé-Black Eyed-Outkast infalível. Sim, porque o lugar anda o mais derrota possível. Nunca vi tamanha densidade de gente feia. Parecia filial de agropecuária...de Barreiras!! Um bando de menina wanna-be-patty, E os caras, ou eram peões, ou eram pirralhos, na maioria das vezes a combinação das duas coisas. Ave!

Mas, como boa menina apaixonada que sou agora, nada disso fez a menor diferença. Olhando o mundo por esse prisma cor-de-rosa que dominou a minha vida, abstraí o público ao redor e encarei a pista de dança. E matei a vontade. Dancei até sair cansada, suada e com cheiro de fumaça...


Momento maldade

Se retirassem do lugar todos os caras com camisa social preta de listra, a população de macho cairia pela metade!! Por acaso rolou uma promoção de balaio dessas camisas esses dias???
Vcs já repararam como os brasilienses são baixinhos? Ô povinho tampa!!!
Me diz, tem alguma coisa mais suburbana do que tirar o sapato na pista de dança da boate?!

25.11.04

Eles sabem de tudo!



Nesta nossa cidade moderna e civilizada, em que os vizinhos mal se vêem e obviamente não se conhecem, a figura das mexeriqueiras que funcionavam como uma central de notícias da vida alheia, 24 horas de plantão, desapareceu. Quer dizer, as velhinhas na janela das casas assistindo a tudo podem ter sumido. Mas, garanto a vcs, que a central de notícias apenas mudou de lugar: das janelas das casas chegou à portaria dos prédios - e, claro, à janela indiscreta da minha amiga Fê, linkada aí ao lado. Meu Deus, existe gente mais informada – e bisbilhoteira – do que os porteiros??

Os caras sabem tudo da nossa vida. Quando saímos, quando chegamos, se estamos acompanhadas, se dormimos fora, se dormimos sozinhas... E numa época de insegurança urbana, a necessidade de identificação dos visitantes dá a eles informações mais que privilegiadas. Quem só aparece em horário comercial, quem só aparece de madrugada, quem está sempre lá, quem veio e sumiu, quem só chega na saída do marido, ou da esposa... Enfim, toda a movimentação de qualquer apartamento é devidamente registrada pela portaria. E como eles sempre têm um tempinho disponível para um bate-papo com a empregada, com o visitante que espera, com a velhinha que desce para tomar um ar, a central de informações é praticamente online...

Um dos meus porteiros, por exemplo, em cinco minutos de conversa, contou a um amigo que vinha me visitar toda a saga dos rapazes do 105, expulsos do prédio por tocarem o terror no apartamento. Os pobres jovens eram maconheiros, vejam só. E o meu amigo – de calça jeans detonada, camisa de banda e eterna cara de roqueiro – ficou na maior dúvida se toda aquela conversa era algum tipo de recado sutil... O porteiro de uma amiga foi ainda mais longe. Duas semanas depois dela ter terminado um namoro de anos, ele, super solidário, avisou à mãe dela que o EX-namorado tinha aparecido por lá. Detalhe, nem a própria menina já considerava o ex ex mesmo...

Mas porteiro que se preza, apesar de tudo, tem de ser discreto. Esses dias, minha prima veio me visitar, mas o interfone daqui de casa está quebrado e não tocava. Na dúvida, ela perguntou ao porteiro se eu estava em casa. Prontamente, ele respondeu: “sim, ela está. Com aquele moço... que eu não posso dizer se é amigo ou namorado, sabe como é, já vivem dizendo que porteiro é fofoqueiro...”


P.S. Claro que a minha prima não perdeu a chance e garantiu ao porteiro que o “moço” nem era namorado. Era noivo e estamos de casamento marcado. Notícias quentíssimas para agitar a portaria!!

20.11.04

Coisas deliciosas da vida




Em tempos sem inspiração, vale plagiar Paulo Mendes Campos e ser feliz...

Rir – acordar cedo e lembrar que é feriado – abraço de sobrinha (o) – sorvete de tapioca da Saborella – colo de mãe – dormir depois do almoço sem hora para acordar – mergulho na praia em dia de sol forte – chocolate (sempre!) – assistir sitcom na tevê – Cine Academia no domingo – pizza Dom Bosco – presente de amigo – mensagem de amor no celular – receber flores – encontrar na promoção a blusa que se namorava há meses – comida japonesa – dançar – receber email de amigo distante – cinema durante a semana, no meio da tarde – acordar com beijo do seu amor – risada de criança – comida de avó – professor faltar a aula – Toddynho – restituição de Imposto de Renda – tirar o sapato de salto depois de uma noite inteira dançando – carnaval em Salvador – beijo bem dado – torpedo inesperado no bar – cortesia para aquele show tão sonhado – cartoon em noite de insônia – Pirenópolis – Bob Marley – dormir mais cinco minutinhos – banho de banheira – viajar – banco via internet – acarajé e abará – fotografia de melhores momentos – entrar como convidado vip em festa badalada – Salvador Dali – andar no parque – esquecer da vida lendo um livro envolvente – cheiro de café passado na hora – coincidências – comprar uma roupa maravilhosa por um pechincha – ver seu time ganhar – Internet que não cai – receber salário – Messenger – tomar champanhe gelada – ouvir a música preferida no rádio – pão de queijo – ter um blog – receber elogio – Jorge Benjor – dia de folga – happy hour com amigos – surpresa de namorado – café da manhã no aeroporto – Flamengo à beira de ser rebaixado – pôr do sol em Brasília – comida baiana no restaurante do Senac – noite de lua – açaí com granola – sair linda na foto – tomar chuva (e esquecer a escova) – o lindo do meu namorado – ter tempo para listar as coisas deliciosas da vida...

16.11.04

O lindo e os loucos



Tenho de admitir que acordei domingo com o estômago embrulhado. Não, não estava de ressaca. Era puro nervoso pelo que me esperava na hora do almoço – o momento de apresentar o lindo do meu namorado à minha família. Sinceramente eu não sei porque inventaram essa norma social de que namorado tem de conhecer família. Para que?? Pura perda de tempo. Depois o namoro não dá certo e, além de toda a dor de cotovelo que vc invariavelmente vai estar sentindo, ainda tem de dar explicações para quatro gerações diferentes de familiares...

Mas, enfim, sou uma menina de família. E como estou cheia de boas intenções para com o lindo, tinha de apresentá-lo para a galera. E ele – no papel de moço mais do bem do mundo – tava louco para ser integrado na tradicional família baiana de onde eu saí...

Sem ter opção, comecei a me arrumar já pensando em quantas doses de álcool seriam necessárias para me deixar relaxada. Perto da hora marcada, recebo um telefonema com o aviso de era para eu chegar mais tarde. “Ué, por que?” “Porque todo mundo quer se arrumar para esperar teu namorado chegar...” Como assim??? Vai ter comitê de recepção com banda de música e fogos de artifício??? Ai, meu Deus, o lindo vai ter certeza de que sou a mais encalhada da cidade...

Fiquei em casa, matando tempo, esperando a hora remarcada para encarar o desafio. Já dentro do carro, fazendo exercícios de respiração para ficar calma – sim, porque considerando todos os loucos existentes na minha família, aquele almoço poderia se transformar num pesadelo. Para mim, óbvio – o lindo toma o caminho do cemitério. “Ei, onde vc vai? Tá certo que vou morrer de ansiedade, mas dá para ser meno óbvio???” Bom, ele seguiu, mas para a floricultura. A fim de fazer uma média com as sogrinhas (sim, porque na minha casa são duas sogras, coitado) comprou flores para cada uma delas. O lindo, além de lindo, é educado. Ponto para mim. E para ele.

Chegamos em casa, flores entregues, apresentações feitas. E foi preciso menos de meia hora no recinto para meu namorado ficar à vontade. Bom, meia hora, duas cervejas e duas doses de pinga, tenho de admitir. Mas tudo correu bem. Pelo menos até onde as garrafinhas de smirnoff ice me deixam lembrar, ninguém fez feio. Minha família se comportou direitinho – o máximo que os seis primos homens, com tamanhos variando entre 1,80m e 1,99m, fizeram foi avisar: “é só tratá-la bem que será bem recebido”. O lindo conquistou todo mundo e eu não dei nenhum vexame. E ainda saí pela porta da frente exatamente na hora em que as caixas de fotografias antigas chegavam pelo corredor...

Sobrevivi. Pelo menos a esse pedaço da história.

11.11.04

Hábitos, manias e vícios




"Nós somos aquilo que fazemos repetidamente.
Excelência portanto, não é uma ato, mas um hábito" (Aristóteles).


Concordo com Aristóteles, discordo da Intelig.

Que papo errado é esse de acabar com nossos hábitos??! Sou radicalmente contra essa campanha preconceituosa de que vícios e manias são sinais de limitação ou conservadorismo. Longe disso. Acredito eu que nossas pequenas manias cotidianas, identificadas facilmente pelas pessoas queridas que nos rodeiam, são a principal marca da nossa personalidade. Claro que não dá para se acomodar, nunca mais tentar algo novo ou se enclausurar na rotina. Óbvio. Mas, no dia-a-dia, não é a beleza de fulana ou a agilidade de beltrano que deixam saudades nos amigos, por exemplo. São as manias – de sempre usar camisa de flanela por cima da camiseta de banda de rock, de tomar, invariavelmente café no Martinica – que nos fazem lembrar, gostar e nos divertir com eles.

Falo isso porque me dei conta da quantidade de hábitos bobos que marcam a minha personalidade. Que fazem parte do conceito Michele de ser. Hoje, ao ir almoçar em um restaurante da cidade, estacionei o carro na mesma quadra, no mesmo bloco e quase na mesma vaga que estaciono sempre que vou lá. E o meu namorado lindo, desconhecendo essa rotina, me perguntou: “ué, pq vc não deixa com o manobrista, na porta do restaurante?” Pergunta óbvia, lógico, já que deixaria o carro num lugar mais seguro e ainda andaria menos no sol quente. “Ah, eu sempre estaciono aqui”, respondi. “Por quê?”, ele insistiu. “Huum... porque sim. Porque eu gosto. Porque me acostumei. Sei lá porque. Porque é hábito”.

Ok, pode não ser inteligente ou prático. Mas tenho certeza de que as pessoas que conhecem essa mania e vão almoçar lá, se por algum motivo estacionam naquele lugar, lembram de mim. Essa sou eu. Não é fantástico? E isso vale para um monte de coisas. Como a reclamação das minhas amigas-primas-mãe-irmã para o tempo que eu perco escolhendo uma roupa para vestir. Elas dizem que nem se dão ao trabalho de responder quando pergunto “ficou bom?”, porque sabem que eu, invariavelmente, vou trocar alguma peça... Ou como o meu mais novo vício – devidamente batizado pela Fê de anorexia de cabelo – que está me fazendo cortar o cabelo o tempo inteiro, com intervalos cada vez menores...

Ah, mas fala sério se não essas manias que nos fazem perceber como conhecemos – e gostamos – das pessoas??

São elas que nos fazem sentir a maior saudade, como quando penso hoje nos inevitáveis atrasos da Cici, para qualquer que fosse o evento combinado. São essas manias que nos fazem saber que amamos a pessoa, apesar de tudo, como o hábito mais do que irritante da Rô de esquecer o celular em casa ou apenas não atendê-lo quando está na bolsa, sempre que precisamos desesperadamente falar com ela. Ou que nos fazem ter certeza de que estamos apaixonados, como a mania, implicante e adorável, do lindo do meu namorado de fazer ressalvas aos pratos de todos os cardápios dos restaurantes da cidade. (Gente, ele já chegou ao cúmulo de mandar chamar a cozinheira de um restaurante japonês para pedir alterações em um yakissoba. Não conseguiu. Mas a conversa – a mesma que me garantiu os ovos mexidos no café da manhã – lhe rendeu um prato quase que exclusivo, tamanhas foram as adaptações no original para agradá-lo... )

Enfim, por isso, concordo com Aristóteles. Nós somos aquilo que fazemos repetidamente. E que atire a primeira pedra quem não tem manias das quais não abre mão!!!

P.S. Alguém pode, por favor, me explicar o que significa o ditado “o hábito faz o monge”?

10.11.04

Rodeada de talentos

Admito, a concorrência está ficando desleal...
Confiram e divirtam-se com dois blogs maravilhosos: Indiscreta Janela e Spik Slouli Plis - linkados aí do ladinho. As autoras mais que talentosas (e minhas amigonas, claro!!).

9.11.04

Barrados no Baile Civilizado

Como boa menina moderna e educada, tenho ótimas relações com ex, atuais de ex, ex de atuais e todas as combinações possíveis nesse mundo barrados no baile em que vivemos. Não é à-toa que o lindo por quem estou completamente apaixonada hoje é ex-marido de uma das minhas melhores amigas. Civilidade demais? Acho que não. Acho que é tudo basicamente uma combinação de sinceridade, lealdade e uma vontade enorme de agir direito com as pessoas. Ontem, em apenas meia hora, tive a comprovação de como as relações humanas – pelo menos na minha vida – andam civilizadas e bem resolvidas. Estava eu, no telefone com o lindo do meu namorado e, ao mesmo tempo, conversando no msn com o menino lindo do “primeiro-encontro-perfeito” já descrito neste blog. Ele (o menino do primeiro encontro) é uma daquelas pessoas incríveis que cruzam na nossa vida em momentos errados. Então, apesar dos nossos desencontros, estava eu o ajudando a fazer uma surpresa especial para uma garota que quer conquistar. Trocava idéias com ele, com assessoria do meu lindo, quando atendi a outra ligação, da minha amiga Fê – a própria ex-mulher do meu atual. Não bastasse isso, ainda estava fazendo comentários no blog do meu amigo baiano, Gustavo, – blog maravilhoso, aliás, devidamente linkado ao lado “Cozinha do Cão”. Gu é outro exemplo de relação bem resolvida. Assim como o meu nego lindo. Assim como um moço surtado que teve passagem relâmpago pela minha história. Assim como outras pessoas que participaram de alguns momentos sensacionais da minha vida e que hoje são amigos mais do que queridos. Adoro, por exemplo, a idéia de ter compartilhado alguns exs com grandes amigas, sem estresses, sem traições, sem mágoas. E adoro quando isso também acontece além das minhas relações. Quando vejo amigas conversando com a ex de um ex mais recente, ou com a atual de um ex ou com um ex e sua atual sem nenhum problema!! A questão é que as pessoas não percebem que conseguir esse tipo de relação é mais fácil do que se imagina. Basta ser leal. Ser honesto. Ser sincero. Com a outra pessoa, com o amigo, com o ex, com seus próprios sentimentos... As mágoas não saem dos novos casais que se formam ou dos casais que terminam. As mágoas surgem da falta de respeito, da falta de coragem para enfrentar situações delicadas, da dissimulação. Sei que dar conselhos é muito chato mas, se me permitem uma observação, a dor mais difícil de apagar é a de ter sido enganada. De resto, tudo passa. (ou quase tudo)

8.11.04

Inteiramente balzaca




É, 31 anos.

Acabou a brincadeira, né? A partir de agora virei adulta de verdade. Tenho de começar a pensar em comprar a apartamento, ter um filho, fazer um plano de previdência privada... Essas coisas que gente adulta faz. O mais grave, porém, é que só consigo pensar em onde será minha mais nova tatuagem – um girassol -, em que praia vou passar o revéillon deste ano e com que roupa vou ao meu jantar de família na sexta-feira... Estou começando a achar que nunca vou crescer!!!

Ah, dentro do padrão-lindo-de-qualidade, meu namorado me raptou no sábado ao meio-dia, para 24 horas de comemoração do meu aniversário. Em um hotel da cidade, meus 31 anos chegaram acompanhados de banho de banheira, jantar delicioso, vinho, champanhe – no café da manhã, inclusive... Fala sério, gente, já to começando a achar que o lindo deveria lançar um manual “Como fazer uma mulher feliz – mimos que todo homem precisa aprender”. O dinheiro do livro daria para me sustentar pelo resto da vida... Hehehehe...

3.11.04

Todo início é assim...



É, só tinha de ser com você
Havia de ser pra você
Senão era mais uma dor
Senão não seria o amor



Juro que, apesar de tantos anos de experiência, eu tinha esquecido como é começo de namoro.

Tinha esquecido como é bom ter essa vontade incansável de ficar junto e essa falta de vontade de fazer qualquer outra coisa.
De como programas bobos, como ver televisão no domingo à tarde, ganham ares de diversão absoluta. E de como qualquer terceira pessoa torna-se imediatamente supérflua.
Eu tinha esquecido de como dormir vira perda de tempo, quando só o que queremos é ficar acordados para não desperdiçar sequer um minutinho de amor.
De como qualquer convite passa a ser irrecusável, seja para um passeio às 4h30 ou para ver apartamento numa tarde de sábado.
Eu tinha esquecido de como qualquer pretexto é suficiente para uma nova declaração de amor. E de como é bom dormir sabendo que vale a pena acordar amanhã.

Que bom, lindo, que vc me lembrou tudo isso.

Oficialmente lindo




Então é isso. Estou oficialmente namorando desde às 17h45 de sexta-feira, dia 29 de outubro, data e horário de Brasília, DF.

(Vem cá, é só o blog ou o mundo inteiro está cor-de-rosa???!!)