Boas Meninas

O dia-a-dia das meninas do bem.

27.10.04

Ovos, amor e Vinicius




Em qualquer leitura mais atenta deste blog, dá para perceber a minha completa fissura por momentos perfeitos. Quaisquer que sejam eles. Exatamente por isso, eu precisava dividir com vcs a sucessão desses momentos que tenho vivido nos últimos dias. Hoje, por exemplo. Acordei, às 7h30, com a campanhia tocando. Vou atender a porta – já ensaiando algum gemido mal humorado, odeio ser acordada, ainda mais a essa hora – e dou de cara com o lindo que, ontem mesmo, me mandou flores. (Vem cá, a propósito, como vc está conseguindo driblar meu porteiro, hein??)

Parado na porta, sorriso no rosto, mil pacotes da Belini na mão e o bom dia mais animado do mundo. “Vim tomar café da manhã com vc”. Por quê? Porque era aniversário dele. Simples assim. Daí, lá estava o lindo, materializado na minha frente, e eu com cara de quem acabou de acordar, cabelo sujo, baby-doll velhinho. Momento de morte para qualquer mulherzinha, né não? Mas ele nem pareceu se importar. Já foi entrando tranquilamente e, num jogo mais que baixo, listou as delícias que tinha trazido para mim – pão, queijo, pão de queijo, bolo de chocolate...

Ainda tentando me recuperar (da surpresa, do susto e da cara amassada), entendi porque aquele lindo é tão especial. Entre as coisas que me ofereceu de café da manhã estavam ovos mexidos. O detalhe era importante. No poema de Vinicius de Morais que acompanhou as flores, ovos mexidos estão citados como um dos pratos que se deve saber fazer para o verdadeiro amor (para quem se interessar, o poema é “Para viver um grande amor”, lindo). E eu tinha dito que adorava. Então, claro, ovos mexidos estavam incluídos no cardápio.

Só que na Belini, onde ele foi comprar todas as coisas deliciosas que integraram o meu café da manhã, não havia ovos à venda. Sabe o que ele fez? Simplesmente convenceu o caixa do lugar – provavelmente com a mesma lábia com que dribla o meu porteiro – a lhe conseguir alguns dos ovos disponíveis para os padeiros usarem nos pães. E não é que conseguiu? O moço do caixa largou tudo, foi ao subsolo da Belini buscar os ovos, enquanto a fila de fregueses crescia dentro da padaria. Tudo isso para me garantir o café da manhã perfeito...

Enfim... me diz, eu não tenho de casar com esse lindo??!!!?

19.10.04

Amarige - arma secreta ou engodo??



Corre a lenda que o Amarige – perfume famosinho da Givenchi – tem feromônios. Daí o efeito comprovado de enlouquecer os homens que se aproximam dele. Daí também, o apelido, íntimo e quase vulgar, de "perfume pega-homem". Enfim. Como quem está na guerra não pode dispensar armas, tenho um frasquinho de Amarige em casa para momentos de desespero. Só há um problema: eu odeio o cheiro desse perfume. Fico enjoada, com dor de cabeça... mesmo assim, em alguns momentos, apelo para o tal. Afinal, não custa tentar, né?

De verdade, de verdade, comigo nunca deu certo. Usei no último sábado, por exemplo. Acabei tendo uma noite super derrota, com festa vazia e madrugada com milk shake de Ovomaltine do Bob´s. O Amarige não serviu de nada. Ou de quase nada. No dia seguinte, quando fui andar no parque, o treco ainda estava grudado na minha pele. E sob o sol escaldante do último domingo, parecia estar com os tais feromônios a mil. Sentada no banquinho, super distraída, às 8h da manhã, fui abordada por dois caras, em menos de 15 minutos. Vcs conseguem acreditar nisso????

O primeiro cidadão encostou, comentou que o dia estava lindo (é, ainda existem mocinhos que usam o tempo como tema para puxar papo), perguntou se eu "vinha sempre aqui". E, nem mesmo a minha cara blasé, de "não tô a fim de papo, meu amigo", o convenceu a ir embora. Falou, falou, falou. Um saco. Quando enfim consegui me livrar do mala, chega outro. (caramba, parecia que eu tinha escolhido o ponto azaração no meio dos 4.200 quilômetros quadrados do parque). Já sem nenhuma paciência, praticamente não falei. E esse, um pouco menos joselito, foi embora logo.

Com a minha amiga Fê, o Amarige (ou o genérico do treco, que faz o mesmo sucesso) também teve efeito duvidoso. Noite dessas, ela chegou na minha casa e foi superbem tratada pelo porteiro do meu prédio. É, aquele senhor preguiçoso, que praticamente se arrasta para abrir a portaria para os visitantes, estava superfaceiro e bem disposto para atender a Fê. Olhou de um jeito estranho, meio interessado. Só faltou
se oferecer para acompanhá-la até a minha porta. Horas depois, ao nos despedirmos do anfitrião do jantar em que estávamos, o moço praticamente se agarrou ao braço dela. Não soltava por nada no mundo. Ficamos ali, as duas, paradas na porta do elevador, enquanto o tal se pendurava na Fê. Cena patética.

E o pior: os dois representantes do sexo masculino respiraram tanto os feromônios do perfume da Fê que, quando ela precisou, os superpoderes dele já tinham evaporado... Ela foi pra casa sem beijar na boca que queria... Conseguiu beijar dias mais tarde, regada a Giovanna Baby! Enfim. Minhas amigas fãs de Amarige e com experiências
positivas comprovadas que me perdoem, mas tô jogando o frasquinho no lixo. Chega de dor de cabeça. Literalmente ou não.

(P.S. Esse texto foi feito com a colaboração da co-protagonista, Fê)

18.10.04

Meu dia de menina ilustre

Olha eu aparecendo nas páginas do Correio Braziliense!!!!


Vamos todos virar beat

Bernardo Scartezini
esportess@correioweb.com.br

Troquei a 109 Sul pelo Parque da Cidade. Meu cardiologista ficaria orgulhoso. E meu amigo Caponildo deve estar puto com a minha cara, nunca mais fechei o Beirute. Mas, meu chapa, não se preocupe. Ainda mantenho certa dignidade. Vou até o Parque no meu golzinho fubanga, ouvindo MC5 no volume máximo do estéreo automotivo, batucando no volante, abrindo caminho às 7h53 da madrugada. Kick out the jams.

É um bom exercício de alongamento. Fico relaxado. Preparado para uma saudável caminhada. Periga até dar ‘‘bom dia’’ para as árvores e também para os patos da lagoa, e só. Porque as gostosinhas que levam yorkshires para passear confundiriam minha recém-adquirida diplomacia matinal com alguma espécie de assédio desavergonhado. Eu não sou o maníaco do Parque.

Manhã dessas, estávamos em poderosa marcha. Acompanhado de minha estimada Michelle e da Aline, nossa amiga maratonista. Apesar de tão formosa companhia, não pude deixar de notar — e invejar — um personagem surgido por entre arbustos. Cabelo desgrenhado, barba de dois dias, peito nu, vestindo um jeans maltratado pela poeira da civilização ocidental, meio traseiro à mostra. O tiozinho acabara de acordar. Amaciava o lombo com uma ducha gelada. A geração saúde, perplexa, abriu uma clareira. Ninguém queria se misturar com o sujeito encardido. Parecia um pedinte, um vagabundo, um pária. Mas não, não, nanani. Não me deixei enganar. Percebi de imediato que ele era um beatnik. Um poeta urbano.

Naquele exato momento, me bateu uma inquietação existencial. Uma vontade danada de virar beat também. Largar tudo. Abandonar o jornalismo. Viver para o instante, para a natureza, para a poesia. Pensei em Jack Kerouac correndo atrás de trens, se escondendo em vagões de carga para cruzar a Califórnia. Pensei em vir morar no Parque da Cidade para sempre. Pensei tanto que pensei em voz alta. ‘‘Ahn... Virar beat, Bernardo?’’, desconsiderou Michelle, com aquele seu olhar de sarcástica reprovação. ‘‘Sei. Virar beat e ser sustentado pelo papai?’’

Murmurei algo sobre Keroauc-ser-sustentado-pela-tia-e-daí? Eu ainda precisava de uma cúmplice. ‘‘Vamos todos virar beat, Aline?’’ A guria já tinha pensado no assunto. Ela desconstruiu meu discurso, apontando uma falha estrutural. ‘‘Você não vive dizendo que é punk? E agora quer ser beat? Tá...’’

Não sou beat. Nem punk. Então fui tomar café da manhã com Michelle. Na Bellini, a padaria chique da 113 Sul. Pedi caracu. Não tinha cerveja escura. Apenas mate limão diet; e uns pães de queijo. ’’Tu não quer mesmo ser beat, não?’’, insisti. Michelle sorriu e jurou que ia pensar a respeito. Mas agora ela tinha hora marcada no salão, pintar o cabelo de vermelho-canetinha. E eu fui pra casa, chupando meu picolé chambinho, cor de rosa, em forma de coração.

16.10.04

Valeu a pena?

Meu aniversário está chegando e resolvi fazer um balanço do que rolou este ano. Uma listinha básica de coisas boas e ruins de 2004. Para saber se valeu a pena... Coisas boas: Emprego novo - carro novo - duas novas tatuagens - a noite inesquecível - beijar o meu sonho universitário - este blog - as caminhadas no parque - a nova cor do meu cabelo - carnaval em Salvador - o dvd - os novos amigos - o fim da insônia - internet em casa - Gustavo de volta Coisas ruins: Cici foi embora - André foi embora - Felipe foi embora - uma pescaria mal sucedida - a solteirice - a vida financeira - a distância cada dia maior do meu nêgo lindo - o vício de me envolver com caras errados - o pouco tempo para família - a vida sem faxineira - a falta de viagens legais - a solidão. Tem mais?

15.10.04

Eu preciso...

...de férias, de praia, de dinheiro na conta, de um secretário particular, de uma boa massagem, de um emagrecimento instantâneo, de um guarda-roupa maior, da Cici na cidade, de uma festa de aniversário maravilhosa, de mais do que uma cesta de flores, de gente sem medo de amar, de minha mãe por perto, de uma cozinha maior, de um amante, de um tarólogo otimista, de ousadia para pintar o cabelo da cor que eu realmente quero, de uma meta na vida, de remédio para dormir, de menos turbulência, de paciência, de um petit gateau de chocolate, de terapia urgente, de talento para escrever aqui, de boas notícias, de juízo, de uma televisão nova... Eu preciso de paz de espírito.

Cigarras brasilienses



Ok, eu adoro morar na Asa Sul. Mais ainda, adoro morar no quinto andar. Durante toda a minha vida, eu morei em casa ou no primeiro andar dos prédios (sabe-se lá porque, alguma coincidência inusitada do destino). E quando encontrei o meu atual apartamento, fiquei animada com a expectativa de viver tão longe do chão. Mesmo que, para alguém que tem medo de altura – e aquela vontade incontrolável de se jogar cada vez que olha para a terra de cima – isso fosse um grande desafio.

Morar no quinto andar acabou se revelando super vantajoso. Fico longe dos barulhos diários de carros e bate-papos. Tem sempre ventinho na minha janela. Não tem perigo do ladrão-homem-aranha escalar o prédio e chegar em mim. E ainda posso fazer uma malhação rapidinha subindo e descendo de escada. Em compensação... existem as cigarras. Deus do céu, o que são essas cigarras??!! Parece que, quanto mais alto vc está, mais elas se sentem à vontade para te visitar. Visitar, não, invadir mesmo. Minha casa está sendo invadida por cigarras!!!!

Ontem à noite, eu quase entreguei os pontos. Tive vontade de fazer as malas e avisar: ok, podem tomar conta. Não quero mais. Caramba! Não bastassem o barulho ensurdecedor que elas fazem o tempo inteiro – e que sempre impressiona a ala baiana da minha família, quando vem me visitar – elas não paravam de entrar pela janela. A cada minuto, um estrondo. Era mais uma cigarra se batendo nos vidros da janela. Chegou uma hora em que tinha cigarra na luz da sala, na cozinha, no sofá, se batendo na televisão, no quarto, na minha cama... E o pior, presa no lustre do quarto, fazendo um verdadeiro escândalo e sujando tudo. Quem ouvia, achava que eu estava quebrando todos os móveis!! E pensar que esses bichinhos boêmios não têm nem cinco centímetros de comprimento!!

Eu, refém na minha própria casa, não sabia o que fazer. Liguei para amigos, pedi ajuda, apelei para safanões com jornais e revistas. Nada. Eu era uma resistência solitária diante de um exército de bichinhos nojentos. E nem tinha a opção de fechar as janelas. Neste calor insuportável, ainda era preferível lidar com cigarras me carregando do chão a curtir uma sauna enquanto assistia tevê. Não tive saída. Apaguei as luzes, liguei o ventilador no máximo e me enterrei debaixo do lençol. Ou mudo para à beira da praia – e troco as cigarras pelos pernilongos – ou espero pacientemente pelo inverno, quando elas darão com a porta na cara do formigueiro...

14.10.04

Energias positivas



Esse blog tá um tédio, né?

Mas já estou com um pressentimento fortíssimo de que o meu amigo ET está de malas prontas. Estou sentindo a vibração de despedida no ar...

Sabe por quê? Porque pilhei para fazer uma festa de aniversário. Porque estou com vontade de sair para dançar. Porque, apesar de continuar viciada no Parque da Cidade, já começo a sentir uma certa pontinha de saudade dos meus amigos que só encontro em baladas. Das risadas, das fofocas, da Smirnoff Ice. Acho que já armazenei energia suficiente para retomar a vida social. E também porque meu aniversário está chegando!!! E eu adoro aniversários!!! (Para quem não sabe quando é, vou logo avisando: dia 7 de novembro).

Não sei explicar direito, mas estou captando energias positivas ao meu redor. Talvez seja efeito do processo de limpeza espiritual que fiz na minha casa. Dez tipos de incensos diferentes e um ritual complexo: primeiro o de limão para descarrego, depois um pro anjo da guarda, depois um de paz espiritual. Depois um de rosa branca para amor e tranquilidade. E um de gerânio, afrodisíaco. Além de cravo para afastar a deprê e uma combinação floral para garantir muito amor. Ufa, tô até com rinite alérgica...

Essa coisa da energia tem a ver também com as pessoas que estão ao meu lado. Cici comemorando um mês de casada. Val inspiradíssima, escrevendo textos lindos no blog. Rô, no melhor estilo Polly, decidindo os rumos que quer dar a sua vida. E meus amigos homens... bom, esses aí, em sua imensa maioria, estão apaixonadíssimos. Leozinho ficou noivo. Zethi, guerreiro profissional, está todo namoradinho, Quito, depois de constatar que não seria feliz sem um amor de verdade, reencontrou o que tanto procurava... Pô, gente, fala sério!!!! Como não ser contagiada com tanta energia positiva?!?!

E acho ainda que, às vésperas do meu aniversário, a pré-disposição escorpiana para se apaixonar pela vida está me dominando. Afinal, tem coisa mais importante do que ter uma paixão? Aquela sensação que te deixa com um sorriso grudado no rosto o tempo inteiro, que te dá pilha para acordar cedo e domir tarde, que faz tudo parecer meio cor-de-rosa, que te faz querer ouvir música como nunca, que reduz os estresses do cotidiano a detalhes insignificantes do dia...

É isso, gente. Sei que estou com transtorno bi-polar e que amanhã posso acordar introspectiva e melancólica de novo. Então, aproveitem!!

10.10.04

Não dá para ser borboleta sem ter sido lagarta antes...



Sábado à noite, tempo chuvoso, estou em casa. Mais uma vez, o alien que mudou para o meu corpo está agindo. Acordei cedo, andei no parque (de patins, até!!! Quer dizer, por apenas dez minutos, mas já é um começo, né?), passei no Bsb Mix, aluguei dvds, tive tarde de mulherzinha no salão. E, mais uma vez, dispensei as festinhas de fim de semana.

O único problema é que o ET que me afastou das baladas esqueceu de me fazer companhia. E hoje, especialmente, estou me sentindo sozinha. Não sozinha sem homem, quero logo esclarecer àqueles amigos que insistem em achar que estou desesperada atrás de um namorado. Mas sozinha de uma solidão que marido algum consegue preencher. Sozinha como podemos ser por uma vida inteira.

Essa solidão me acompanha há tanto tempo, que nem sei mais quando começou. Lembro de ter crises existenciais, aos 13 anos, me perguntando se esse vazio na minha alma seria preenchido algum dia. E não lembro como fiquei três anos e meio casada. Não lembro da minha rotina de casada. É como se eu tivesse sozinha todo o tempo. Vai ver, estava mesmo.

Às vezes, fico preocupada com esse isolamento que se instaurou na minha vida. Tenho medo dessa reclusão não acabar nunca e essa minha solidão “de alma” ficar ainda mais intensa. Mas, aí, converso com as pessoas, ao meu redor ou a quilômetros de distância, e acabo convencida de que isso é apenas uma fase. Uma fase de quietude, para recuperar a energia que perdi nos últimos meses. E ficar pronta para uma nova vida. Estou trocando de pele. Ou recarregando baterias já gastas. Não importa a metáfora. Vou ficar bem.

Em todo caso, se eu demorar muito neste casulo, venham me salvar, ok?

8.10.04

Aprendendo a ser zen



Desculpa o sumiço, mas estou sem tempo. Por motivos óbvios. Enfim. Vai passar.


Mas hoje decidi escrever sobre um traço da minha personalidade que estou me esforçando para melhorar – para não dizer acabar de vez. Quero deixar de ser imediatista e de querer sempre tudo perfeito. Quero virar uma pessoa zen, paciente e compreensiva com os obstáculos que a vida coloca à nossa frente. Praticamente uma budista.

Isso vale para tudo. Em relacionamentos, por exemplo. (desculpa, Zethi, mas vou voltar a falar de homens, ok?). Como eu disse em posts anteriores, depois de 30 anos de cultura moderna, eu tenho mil modelos do que considero um relacionamento perfeito. Vc encontra o cara e ele é maravilhoso, diz coisas incríveis e engraçadas, te trata como princesa, manda flores no dia seguinte, te liga para dizer que está com saudade, faz surpresas criativas, te dá presentes caros, te leva a lugares badalados, é sensível... Tenho registrado na minha mente centenas desses modelos de perfeição, um para cada momento, cada ato, cada silêncio. Só que óbvio, é impossível reuni-los em um só cara. Simplesmente impossível.

Daí o que acontece? Eu fico logo frustrada. Basta um desses atos que eu tenho como perfeitos não acontecer para eu já achar que nem tudo é tão legal, que na verdade é estou numa grande roubada... (ah, dêem um desconto, como escorpiana, sou dramática por natureza). Aliado a isso vem minha incontrolável ansiedade. O cara tem de ligar no dia seguinte, tem de dizer tudo o que eu quero ouvir, ou já acho que ele não vale a pena... Fico repetindo esse comportamento o tempo todo. E me angustiando.

O lance é que nem sempre as coisas acontecem do jeito que eu quero, no momento em que quero, com os sinos badalando e os fogos artifício estourando, como eu planejo. Cada situação é única, tem um ritmo, uma urgência ou uma calma que é própria, que não se repete nem tem fórmulas definidas. E eu preciso aprender a lidar com isso.

Dia desses, eu tive uma noite bem legal com um cara que há um tempo achava interessante. Eu torcia por uma oportunidade com ele. Acabei tendo, super por acaso, e foi tudo muito bom. Ele correspondeu, sim, a muitas das minhas idéias de primeiro-encontro-perfeito. Mas o cara tava passando por uma crise pessoal e acabou não me proporcionando o dia-seguinte-perfeito. E eu pirei. Nem parei para avaliar – como estou fazendo agora – o momento difícil que ele enfrentava. Nem considerei o fato de que nem todo mundo tem a mesma urgência que eu para as coisas. Sofri à toa. Me frustrei à toa. Considerei o cara um canalha. Depois, analisando com calma a situação, vi que ele foi bem legal comigo. Antes, durante e depois. Eu que não tive paciência para esperar tudo ficar bem. E desse mal – não saber esperar – eu já sofri mil vezes. E já coloquei muita coisa a perder. E já precipitei muitos estresses.

Por essas e outras, decidi ficar mais zen. Deixar os caminhos seguirem o curso natural sem tanta interferência. Aprender a esperar as coisas se ajeitarem. A pressionar menos. E me angustiar menos também. Enfim, quero aprender a ter paciência.

Torçam por mim.

3.10.04

O ET continua em mim




Gente, o alienígena que dominou meu corpo decidiu nunca mais sair. E está conquistando cada vez mais espaço. Este fim de semana, não apenas me fez desistir de outra balada para andar no parque de manhã cedo, como também me levou à missa!!!

Pois é. E tenho de assegurar a vcs, eu adorei. Mais uma vez, achei uma canseira ter de me produzir toda para encarar as mesmas pessoas, numa festinha não-jornalista no Clube da Imprensa. Só de pensar em ter de fazer aquela social, procurar um cara interessante... ufa! Nem estou a fim. Preferi encarar um papo com minha prima querida e uma boa noite de sono. Acordei cedo e continuei no esforço de garantir meu quase-bronzeado com mais uma hora de caminhada no parque. Feliz da vida.

A novidade dessa vez foi a decisão de ir à missa. No atual momento da minha vida, qualquer ajuda divina é bem-vinda, né? Então, nada melhor que uma visitinha descompromissada a um templo divino para lembrar aos céus que existo. O mais legal é que a missa é realmente boa (Leozinho, vc estava coberto de razão, companheiro). O padre, franciscano, tem a postura ideal para conseguir tocar a nós, cristãos reticentes e cheios de ressalva. Para vcs terem uma idéia, ele até citou Nitzchie. Botam fé?

Como nada é por acaso nesta vida, o sermão do padre foi sobre compaixão. Sobre como é importante nos colocarmos no lugar das outras pessoas para entende-las melhor e melhor norteamos nossas ações. (Desculpa, seu padre, mas o senhor chegou atrasado. Já falei disso neste blog há algum tempo, num post sobre o outro lado do caminho, podem conferir). De verdade, saí da igreja cheia de coisa para pensar...



Momento vamos-todos-ser-zen

Como tem gente mal humorada no mundo, né? Imaginem vcs que, caminhando hoje no parque, inadvertidamente atravessei a pista dos ciclistas. Foi questão de segundos até eu me tocar e mudar de pista, mas tempo suficiente para um senhor, de bicicleta, me dar uma bronca. “Ei, essa pista é para bicicleta!!”, berrou, na maior grosseria. Nem me dei ao trabalho de responder, só acenei e saí da frente. Mas, vamos lá, tem de ser muito mal amado para ficar de mau humor às 9h da manhã do domingo, no Parque da Cidade, no maior dia lindo, né não?!

Momento não-consigo-ser-cachorra

Depois de várias tentativas frustradas, conseguimos – eu e a Fê – ir a tal loja experimentar as calças da Gang (existe algum leitor aí que não sabe o que é calça da Gang?). QUE DECEPÇÃO! Primeiro porque só tinham dois modelos na nossa numeração. Com a tal promoção, eles já tinham vendido tudo. E os dois modelos nem eram muito legais... enfim. Encaramos o provador e nos enfiamos nas calças. Gente, eu juro, não fez efeito nenhum!!! É verdade que pareci mais magra. E que a roupa fica TOCHADA no corpo. Mas levantar a bunda que é bom... nada. Chegamos a conclusão de que ou demos muito azar, ou é lenda a história de que “calça da gang, toda mulher quer, R$ 200 pra deixar a bunda em pé”. Ou pior, só funciona em quem, definitivamente, NÃO tem bunda. Porque em mim e na Fé não resolveu nada. E juro que eu estava disposta a encarar até os R$ 400 dos preços, caso fosse realmente tudo o que dizem por aí... hehehe... Pois é. Vou ter de ir ao Rio conferir isso in loco.

1.10.04

Época de colheita



No meio de toda essa confusão em que minha vida foi jogada, uma coisa tem me deixado especialmente feliz nos últimos dias: o comportamento dos meus amigos. Desde que essa crise começou, tenho recebido telefonemas, emails, mensagens no celular e todo tipo de manifestação de apoio, carinho e atenção por parte das pessoas que fazem parte da minha vida. E nem estou falando dos meus amigos mais próximos, aqueles que sempre estão aí para segurar minhas crises. Falo de pessoas por quem tenho o maior carinho, mas nem tanta proximidade assim, mas que têm sido atenciosas, gentis, generosas. Ligam preocupadas comigo, oferecem ajuda, convidam para momentos de diversão.

A todos vcs queria dizer que estou comovida com essa atenção. Ontem, em uma conversa com um desses amigos, ele me disse que eu estava apenas colhendo o que plantei. Que o que a gente faz aos outros volta para nós e que eu sempre fui legal e atenciosa com as outras pessoas.

Se toda essa onda de energia boa que as pessoas estão me oferecendo agora não for simplesmente uma grande generosidade do universo, queria dizer que estou satisfeita comigo mesma. Porque ser legal com as pessoas foi uma coisa que sempre me esforcei para fazer. Sempre tentei dar atenção aos amigos, ter palavras de carinho para os outros, mesmo quando eles não eram, ou não estavam, tão próximos assim. Se isso for mesmo resultado das minhas próprias ações, ao longo dos últimos anos, estou com a sensação de dever cumprido, sabe? Não simplesmente por estar tendo algum retorno positivo. Mas por constatar que consegui ser a pessoa que eu sempre quis ser.

Agora se não for nada disso, quero agradecer ao universo pelo tal surto de generosidade. Cada mensaginha dessas, cada ligação, cada frase carinhosa no messenger, é um ponto de força a mais para eu continuar enfrentando esta ou qualquer outra loucura que aparecer. A cada momento desses, eu paro e penso: “caramba, claro que tudo isso vale a pena”. Vale porque tenho amigos com quem conversar, com quem sorrir, com quem sair, com quem dividir as dores, com quem chorar, com quem ser feliz. Amigos que estão do meu lado e fazem qualquer coisa valer a pena. E isso, para mim, é a essência do amor.

(ok, ok, dêem um desconto para o tanto que estou brega...)