Boas Meninas

O dia-a-dia das meninas do bem.

31.7.04

Mitos, tabus e preconceitos ou o charme dos homens mais velhos



A amiga de uma amiga minha vai casar com um cara 20 anos mais velho. A menina, de 24 anos, está completamente apaixonada pelo cara - bem-sucedido, inteligente, interessante, mas coroa. Fiquei pensando nessa história e descobri, horrorizada, o tanto que ainda tenho tabus na minha vida. Logo eu, que me achava a mais cabeça aberta e moderninha de todas! Que faço questão de espalhar aos quatro ventos ter sido casada com um cara cinco anos mais novo...

Pois é. A gente vive imersa em tanto preconceitos que sequer percebe quantos ainda alimenta. Acreditava que era a maior liberal porque tinha vencido a resistência em me envolver com caras mais novos. Exibia até aquele arzinho de mulher superior diante das minhas amigas, com aquele discurso de “o que importa é o amor”. Daí, me peguei tecendo os mais absurdos pensamentos quando o assunto se inverteu. Considerando a hipótese de me interessar por um cara bem mais velho, pensei tanta coisa idiota que fiquei com vergonha de mim mesma. Coisas tipo “como eu ia apresentar ele a minha família?” Ou “como eu ia sair para dançar com ele?” Ou ainda “Como seria ridículo encarar um showzinho de rock com ele”. Ah, fala sério.

Claro que deve existir o tal “conflito de gerações”. E os dois devem ter de abrir mão de muita coisa para dar certo. Mas os caras mais velhos têm suas qualidades, não? Em geral, são mais seguros, têm a vida financeira resolvida, têm mais experiência, mais paciência para lidar com crises femininas, e ainda sabem tratar uma mulher como princesa. (Sim, porque se o cara passou dos 45 sem aprender isso, pode desistir...)

O lance é que a gente levanta tantas barreiras ao nosso redor, por conta de mitos e convenções, que acaba restringindo as nossas chances de ser feliz. Sem sequer nos darmos conta disso. E é exatamente por ter feito mais essa constatação na minha vida que estou terminando esse post e indo ao Amore Mio. Sabe como é, ampliar horizontes...

Só para registrar: o lindo da foto aí em cima, completou 62 anos há duas semanas...

30.7.04

Brilho eterno...



Vou ser óbvia. Em centenas de blogs por aí o assunto do momento é o filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Não tem como escapar mesmo. O filme é lindo, sensível, tocante. Saí do cinema emocionada, feliz de pensar em tanta gente legal que passou pela minha vida, me amou, foi amada, me fez feliz. De lembrar em quantas e quantas vezes eu pensei “posso morrer agora, porque estou onde queria estar”, independentemente do lugar ser a minha casa, a Europa, Salvador ou uma rua de Brasília.

Queria deixar registrado também – mas para mim mesma do que para vcs – que estou feliz agora. Muito feliz. Lembro de uma frase dita por uma das minhas primas quando eu terminei um namoro, anos atrás: “a partir de agora, qualquer coisa pode acontecer”. É assim que me sinto neste momento. Qualquer coisa pode acontecer. Não estou procurando por nada, resolvi todas as histórias pendentes, agora estou apenas feliz. Animada com o trabalho, tranqüila de grana, com tempo para cuidar de mim mesma, descobrindo um mundo novo. E só quem esteve ao meu lado nos últimos 12 meses sabe o quanto foi difícil chegar aqui. Mas eu bem que merecia, né?



Momento mudança-que-não-acaba

Cortei o cabelo de novo. Bom, prometo que foi a última vez este ano. Primeiro porque não sobrou mais muita coisa para cortar mesmo. E depois porque minha cabeleireira avisou que se eu pedir para cortar de novo, me manda direto para um psicólogo!! Hehehe...

28.7.04

Eu amo happy hour!!!



Gente, descobri que sou louca por um happy hour. Nos últimos sete anos, enquanto todas as pessoas transformavam a saidinha depois do trabalho em uma coisa cotidiana, eu, encarcerada numa redação de jornal, nem sabia do que se tratava. Ouvia falar, achava lindo, mas nunca, nunquinha, tinha oportunidade de encarar um happy hour de verdade. Até o mês passado.

Nessa minha nova vida, descobri mais esse prazer. Sinto muito pelos amigos que continuam presos dentro de uma redação, porque happy hour é o que há. Não tem coisa melhor do que sair do trabalho às 19h (às 18h, às vezes, hehehe) e encontrar amigos em algum lugar legal. Pode ser em um café badalado, quando o encontro é de mulherzinhas. Ou um botecão, quando a galera tá a fim de beber. Ou mesmo um bar descolado, quando os encontros são mais, digamos, promissores. Não importa. O lance é sair do trabalho a tempo de assistir ao pôr-do-sol maravilhoso que esta cidade nos oferece diariamente, para fazer a social no início da noite, com todo mundo descansado e bem disposto. E, de quebra, voltar para casa com tempo suficiente para fazer um bando de coisa antes de dormir...

Como hoje, por exemplo. Aqui estou, antes das 23h, assistindo a rodada do brasileirão, já completamente bêbada de tanto vinho italiano que tomei mais cedo no happy hour (que, acreditem, foi para resolver assuntos de trabalho!). Mas ainda com tempo para, entre outras coisas, escrever esse texto – o que, aliás, tá sendo super difícil porque parece que mexeram no meu teclado e todas as letras saíram do lugar!!!

A propósito, onde vai ser o happy hour amanhã??

Previsões para 2004



Acabei de reler uma previsão astrológica do meu signo para 2004, que havia guardado na minha agenda. Coloquei o texto lá em janeiro, exatamente para, ao longo do ano, encontrá-lo por acaso e tirar alguma conclusão. (Ou me convencer de vez que astrologia é pura baboseira). Mas vamos lá, vejamos o que eu encontrei:

"Este ano será direcionado ao aprendizado. Você vai descobrir coisas que nem imaginava. O momento é de melhoria, descoberta e crescimento interior.”

“Há uma grande energia para novos relacionamentos. Mas, saiba, eles tenderão a não durar muito.”

“Se não está satisfeito com seu trabalho atual, aproveite. Esse ano será de mudanças radicais”.


Bom, nem precisava dizer mais nada, né? Considerando que comecei o ano insatisfeita com o trabalho, sim, mas sem nenhum plano de mudança; que nunca imaginei que seria assessora de imprensa e que estou num caminho de auto-conhecimento que às vezes até me assusta... Dá para duvidar de astrologia, people??!!

Sem medo de ser feliz




Em uma conversa animada ontem, ouvi do meu cunhado (não o baiano, o americano, hehehe) que os amigos dele andam sem disposição para se apaixonar. Depois de tantos amores, tantos sofrimentos e tantas emoções, eles andavam sem saco de se envolver de verdade. Naquele esquema “deixa quieto”.

Na hora, fiquei horrorizada, “Ai, que absurdo!”, rebati. Mas nem pensei direito sobre o que ele tinha dito. Só fui me tocar depois. Nas últimas 48 horas, eu repeti a mesma frase três vezes, para pessoas diferentes: “Estou velha demais para encarar aventuras”. O mesmo sentimento que descrevi em um post anterior, num desabafo em plena TPM. Estou sem disposição para me arriscar. Mesmo sem me dar conta, eu estou agindo da mesma forma que os amigos do meu cunhado...

A constatação me deixou um pouco assustada. COMO ASSIM??!! Eu sempre me considerei ousada, determinada... Já fiz loucuras por amor! Para dar um exemplo construtivo, peguei um ônibus daqui para Belo Horizonte, mentindo para minha família, sem nunca ter pisado na cidade e não ter nenhum conhecido lá, só para encontrar um cara com quem tinha ficado por apenas um final de semana! Lembro que, na viagem, só rezava para ele me reconhecer... E deu tudo certo. Tão certo que namoramos por dois anos, no esquema mais “felicidade total” possível (só para contextualizar, ele é o meu ex mineiro que casou há algumas semanas).

Então, como assim agora eu sou uma mulher que não se arrisca mais?! Caí na maldita defensiva que meu amigo Marcos Adriano identificou em nossas vidas e não cansa de alertar a todos. Estou sem ânimo de viver as coisas, simplesmente para não correr o risco de sofrer alguma hora. Ah, convenhamos!! Quem disse que ser cautelosa te previne de roubadas?? A roubada pode estar escondida na carinha mais doce do mundo. No colega de trabalho tããããão legal. No empresário confiante e bem-sucedido. No jornalista intelectual e sensível. Em qualquer lugar!! Roubada é circunstância, mais do que caráter. E ninguém está imune a ela.

Diante disso, decidi que voltarei a ser uma mulher corajosa. Claro que vou continuar me preservando. Mas com um pouco mais de audácia. Vou sair dessa tal defensiva que acorrentou a todos nós. Em relação a tudo na minha vida.

E o primeiro passo é encarar de frente uma história que se arrasta há exatos 11 anos e cinco meses. O máximo que pode acontecer é esse aquariano pirar de novo – como já aconteceu algumas vezes. Mas eu não vou ter perdido nada. E só saberei se tentar, né? Baby, tá com vc agora.

(Ah, a foto é uma homenagem ao salto que daria este final de semana e, mais uma vez, tive de adiar. André, desculpa mais uma vez e não desiste de mim, tá?)

27.7.04

Passei!!



Passei no teste mais importante de uma autêntica patrícia: fiz eu mesma uma escova no meu cabelo. E prestou!! Um mundo novo se abriu para mim agora...

26.7.04

Reencontros felizes



Gente, eu adoro encontrar amigos que não vejo há tempos!

Logo quando eu mudei para Brasília disse a mim mesma que só me sentiria em casa quando saísse para um programa típico brasiliense – como o cineminha no domingo – e encontrasse pelo menos uns três conhecidos. Dez anos depois, isso acontece o tempo todo, claro, Brasília nem é tão grande assim. Mas o mais legal mesmo é encontrar gente que não vemos há muito tempo...

Foi o que aconteceu nesse domingo. Estava eu saindo do Festival Internacional de Cinema (FIC), na Academia de Tênis, quando encontro o primeiro cara realmente legal que conheci nesta cidade. Nooossa, a gente não se via há mais de cinco anos!!! Ele foi morar em Campinas e acabamos perdendo contato. Fiquei tão feliz. Esse fofo foi o responsável por três momentos inesquecíveis na minha vida:

1 – Me apresentou ao US3
2 – Tocou gaita para mim no cais da Península dos Ministros, debaixo da maior lua
3 – Tocou clarineta para mim na concha acústica da ExpoBrasília, em plena Feira do Livro, com um montão de gente juntando para assistir

Ah, fala sério, ele é um amor. E está de malas prontas para estudar música por dois anos em um conservatório de Barcelona. Mas antes, me deixou os telefones e e-mail, para nunca mais perdermos contato.

Mais uma adesão

Meu amigo Marcos Adriano acabou de criar um blog!! Sensível e com muita coisa para dizer - ainda mais agora que está com muito tempo livre - ele escreve no 30 e contando, devidamente linkado aí ao lado.

Confiram.

25.7.04

Eu sou uma chata!!



Essa constatação é séria. Já pensava nisso há alguns dias, mas tive a certeza depois de ver ontem o filme italiano Com minhas palavras. Foi um soco no estômago. O filme é uma comédia romântica levíssima, em que a protagonista é uma balzaca que se separa do namorado de oito anos e viaja para a Grécia com a sobrinha adolescente. Bonita, inteligente e independente, ela também é uma fresca, impaciente e cheia de manias. Como ela mesma se definiu, é do tipo que dobra a roupa antes de transar. Ok, eu não faço isso. Mas já me peguei várias vezes dizendo “ai, cuidado para não amassar”...

É isso, eu sou uma chata mesmo. Posso dar exemplos apenas dessa última semana. Com a minha família lá em casa, eu estou enlouquecendo. Descobri que não agüento mais conviver com pessoas na mesma casa, por exemplo. Me irrita o barulho, as coisas em lugares diferentes do que eu coloquei, me irrita as surpresas na geladeira. Me irrita ter de fazer programações conjuntas. No dia-a-dia, ando ainda mais chata. Me irrita lugar cheio, gente que não sabe dirigir (falou a Ayrton Senna!!), garçom que atende mal, gente que não consegue mexer no caixa eletrônico, adolescentes, pedintes, vendedor...

Bem que meu tarólogo me avisou. Segundo ele, meu caminho é regido pela Sacerdotisa, entidade forte, feminina, determinada e carismática. Mas também autoritária, ranzinza e cri-cri. Ele disse, por anos a fio, para eu tomar cuidado ou chegaria aos 60 anos como uma velha insuportável. Daquelas que nem família quer encontrar. Gente, eu já tô assim na metade do caminho!!!!

24.7.04

Vida de solteira em qualquer lugar



Ontem fui ao teatro com minha mãe, minha tia e minha prima. Peça boba com globais, na Martins Pena. A combinação de um programa mulherzinha-familiar em plena sexta-noite com o personagem mega-canalha do Humberto Martins (lembram dele? O canastra careca, barrigudo e com um furo no queixo) me fez pensar em como vida de solteira é clichê.

No final, todas as solteiras se parecem. Seja eu, minhas amigas, as meninas que fazem os blogs por aí, as jornalistas dos 02 neurônios, as mulheres da tevê ou as que inspiraram a peça de ontem. E, claro, os homens agem exatamente da mesma forma com qualquer uma de nós. Como somos óbvias!!!

...

Acabei de ler um texto da Martha Medeiros sobre a procura do amor. Se quiserem conferir, está postado no blog Mulé Pré-balzaca, devidamente linkado ao lado.

Tem tudo a ver com o momento que estou vivendo agora. Tive um surto de inteligência e percebi que amor não é remédio para infelicidade. Coisa que deveria ter visto antes, considerando que meu casamento acabou exatamente por isso. O amor existia, estava lá. Mas todo o resto estava um caos tão grande que não deu para segurar a onda. E foi ficando pior depois que separei. O caos estava ainda maior e eu tentando desesperadamente me apaixonar. Resultado: só me machuquei.

Agora, tudo entrou novamente nos eixos. Escrevendo um e-mail para um amigo me dei conta de como estou bem. De como tudo de repente parece estar dando certo. A mudança de emprego foi o catalizador de um processo que começou no carnaval da Bahia. Estou em paz, auto-estima intacta, cheia de planos, feliz com pequenas coisas. Como ir ao teatro numa sexta à noite com a minha mãe.

E aí, de repente, não mais que de repente, o amor começa a dar pinta. À medida que vamos exorcizando fantasmas antigos, o horizonte parece clarear ao nosso redor. E o amor vai aparecendo. Tímido ainda, realizando fantasias universitárias. Ou promissor, em e-mails sugestivos. Fato é que, o amor acaba aparecendo. É só não fazer mais diferença.

Mais uma do serviço público



Bom, se isso não estivesse acontecendo comigo, juro que acharia a história mais imbecil de todos os tempos.

Essa semana saiu o pagamento do meu novo trabalho e eu estava precisando do contra-cheque para ajudar minha irmã numa negociação. Bom, numa ação natural, fui até o setor responsável pela minha folha de ponto buscar o contra-cheque. Normalíssimo. Daí, ouço da moça responsável: “olha, os contra-cheques não chegaram porque a máquina de impressão não está funcionando. Tenta amanhã lá no RH”. Beleza. Tive de esperar, fazer o quê? No dia seguinte, lá vou eu ao RH:

- Oi, vim buscar meu contra-cheque, disse, toda simpática. Afinal, simpatia nesses lugares já de grande ajuda.
- Sinto muito, não tem contra-cheque, respondeu o moço, muito tranqüilo.
- Como assim, não tem contra-cheque??!, perguntei, antevendo problemas.
- É que a impressora está sem toner (ou sei lá como escreve isso) e não podemos imprimir nada.
- Errr... mas eu preciso de um contra-cheque, estou comprando um carro, preciso comprovar que tenho renda...
- Compra o carro depois.
- Como é?? Moço, eu preciso de um documento qualquer que comprove minha renda. Bate um ofício aí, sei lá. Qualquer coisa, apelei, absolutamente chocada.
- Sinto muito, é impossível. Teve gente mais desesperada que vc aqui, precisando de empréstimo pessoal, financiamento de casa... todo mundo teve de desistir.
- Então grava em disquete, que eu imprimo em casa. Me manda por e-mail!!!
- Não dá. O sistema trava. Mas não se preocupa. Já mandamos comprar o toner.
- E quando chega?
- Era para chegar na semana passada...


Fala sério.
Estou sem contra-cheque, minha irmã está sem carro e o serviço público mostra que não é lenda urbana.

22.7.04

Mundo digital



Comprei um celular novo que tira fotos, tem radinho e muda de capinhas!! É a coisa mais inútil do mundo, mas me senti a mais moderna de todas com minha nova tecnologia CDMA. Estou me sentindo a mais importante com fone de ouvido – pronto, não sofrerei mais para manter o carro nas curvas e falar com os amigos ao mesmo tempo -, tirando fotinhas da galera e ainda mandando em tempo real para os e-mails de amigos. Não bastasse isso, ainda instalei em casa hoje a internet banda larga turbo mega-estrelinha-plus. Quer dizer, agora sou uma mulher absolutamente digitalizada!!!

Na verdade, me rendi total a esses brinquedinhos de adulto depois que me convenci da importância da tecnologia nas nossas vidas. Por exemplo: meu amigo Felipe está literalmente do outro lado do mundo. Mas os comentários freqüentes neste blog, as conversas ocasionais no messenger e o telefone fazem com que ele acabe sendo mais presente na minha vida do que muita gente conhecida que mora na mesma cidade que eu. Então, percebi que tecnologia é o que há!!!

Com tradição não se discute




Aniversário do meu cunhado, decidimos sair à noite para comemorar. Como bom baiano, ele quis ir a um boteco, tomar um chope. Aparentemente tranqüilo, né? Não! Como anfitriã e cicerone de alto nível, entrei em pânico. Como assim comemorar 30 anos em um boteco??!!!?? Ainda mais na companhia da minha respeitável mãe e da minha inocente sobrinha??!!!

Tentei de tudo para demovê-los da idéia. Ofereci restaurante japonês, comida mexicana, uma boa pizzaria, um café badalado. Nada. A trupe estava irredutível. Parecia que eu era representante única da ala esnobe da família. Ninguém queria gastar dinheiro, tava todo mundo com fome e não queriam ir a lugar chique. No final, o aniversariante encerrou a discussão: ele tinha direito de escolha, não? Tinha mesmo. E eu tive de me render... para a segunda etapa de desespero.

Para onde levaria esse povo?? Como boa menina que sou, não freqüento botecos. A não ser nas saídas despretensiosas, em geral com amigos homens. Não conseguia pensar em nenhum lugar interessante. Depois de vários telefonemas e de um verdadeiro mapeamento da cidade, entreguei os pontos. Decidi levá-los ao bom e velho Beirute. Afinal, já que eles queriam boteco, pelo menos iriam ao mais tradicional de Brasília.

No caminho, ainda relutante, fui preparando o terreno. “Olha só, lá é meio botecão mesmo, sem glamour, e tal. Mas tem um parquinho, a comida é boa, é meio boêmio, fica do ladinho de casa...”

Com o povo todo super animado, cheguei no Beirute às 20h. Lei de Murphy básica, o bar estava lotado. Eu tinha esquecido que era dia de jogo do Brasil. De quebra, ainda estava um frio de lascar. “A noite promete”, reconheci, já culpada por ter estragado a noite de 30 anos do meu cunhado.

Pois bem, o Beirute surpreendeu. Ou será que foi a minha família?? Meu cunhado adorou o chope e o ambiente e minha mãe achou a comida deliciosa e se divertiu identificando TODOS os casais gays em um raio de 100 metros. Já minha irmã – a mais relax de todas – adorou o clima informal do lugar e minha sobrinha linda... bom, essa precisou ser arrancada a força do parquinho!

Resultado: agora que descobri esse lado povão da minha família, já estou programando um almoço no Faisão Dourado!!!

19.7.04

Detone, mas mantenha o respeito!



Segunda-feira mega tumultuada, recebo trocentas notícias. Às 16h, sem almoçar, tendo dormido apenas três horas essa noite, nem consigo processar direito essa minha vida de mulher adulta. Caralho!! (desculpem a expressão, mas às vezes, me sinto atropelada pela vida). PÁRA O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!!

Recebi e-mail maravilhoso hoje. Só para me lembrar que o mundo é lindo, que as pessoas são do bem, que a gente é amada. E que todo mundo nasceu para ser feliz. Dez minutos depois, recebo telefonema porrada. Só para me lembrar que o mundo é uma loucura, que as pessoas são neuróticas e que a gente às vezes é absolutamente injustiçada. De quebra, descubro que esse blog tem como leitores gente que eu sequer conheço, mas que participa da minha vida. Participa, ok? Não simplesmente acompanha. Fazer o quê? Só me resta ser, como sou, uma mulher superior, escrever mais um texto maneiro, mostrar que a vida taí para ser vivida e tocar o foda-se. É isso. Para eu ser feliz, só preciso de mim mesma. De um tempero baiano. E dos meus amigos maravilhosos que sempre aparecem aqui.

Ok, ok, esse meu bom humor persistente – apesar do telefonema porrada e das notícias ruins – tem três motivos básicos.

1 – Uma dose maciça de boa música no domingão. Marcelo D2 (lindo, maravilhoso!!) e O Rappa salvaram meu fim de semana. Dois showzinhos bons para caramba no Porão do Rock. D2 é o máximo.

2 – Meu chefe chegou de viagem e eu voltei a trabalhar de verdade. Adrenalina, política, acompanhamento de perto no andamento das coisas. Descobri que nasci para ser articulista, hahahaha!!!

3 – Descobri que estou bem. Aprendi, ENFIM, a exercitar a teoria do "let it go". Deixa esse povo ir. Só fica, quem vale a pena.  

16.7.04

Eu sei, eu sei!! Não precisa repetir!

Meu dia terrível está acabando e eu fiquei me sentindo obrigada a fazer mais post para colocar aqui, depois do mega-desabafo de mais cedo.

Sei que nem todo mundo entendeu meu desespero. Algumas pessoas me ligaram, alguns amigos agüentaram uma Michele insuportável na hora do almoço. Mas o fato é que – apesar da TPM visível – eu estou com medo de ter idealizado tanto um novo relacionamento, que não serei mais capaz de aceitar um de verdade, com as falhas, problemas e concessões que ele inevitavelmente terá. Sabe como é?

Nem falo mais sobre esse cara específico (até porque, acho que esse aí não me liga mais, rs...). Falo sobre a parte conceitual da situação. Já vivi tantas coisas legais e, ao mesmo tempo, acumulei tantos traumas que um cara para me impressionar terá de ser meio super-homem. Imagina: ele tem de se igualar em tudo de legal que já me ofereceram, sem reproduzir nenhum dos meus trocentos traumas. Já pensou??

Agora só me resta me consolar com meus próprios conselhos. Há alguns meses, uma amiga estava no mesmo dilema, achando que ela mesma se boicotava porque conhecia caras legais que se interessavam por ela, mas não se interessava por eles. Lembro que, uma noite, ela me mandou uma mensagem convencida de que o problema era mesmo com ela. Sensata – como adoramos ser com os outros, mas nunca somos com nós mesmas – eu disse o óbvio: a falta de interesse era apenas sinal de que ela não encontrara o cara certo. Coincidentemente, ontem, lembramos dessa nossa conversa. "Defeitos que eu odiava em outros, acho absolutamente natural nele", admitiu ela, agora completamente apaixonada.

 
É isso. TPM de lado, vou eu mesma repetir nossos mantras modernos:

                   Deixa a vida me levar
                   Deixa as coisas acontecerem
                   Relaxa 
                  Teoriza menos as relações
                  Dá um tempo
                 Fica tranqüila
                 Permita-se viver.

Afinal... fogo de amor não queima!

TPM ou o dia em que príncipes viram sapos


 
Acordei de péssimo humor. Aliás, ando mal humorada há umas 36 horas. Só pode ser TPM. Mas, enfim, amanheci numa sexta-feira que promete. Primeiro, acordei atrasada. Claaaaro. Depois de tantas noites mal dormidas e um princípio de gripe, cheguei ao fim da semana acabada. Tentei tomar café da manhã, mas descobri que não tem comida na minha casa. Nem mesmo as compras de supermercado feitas pela minha mãe (ela, minha irmã e minha sobrinha estão lá comigo esses dias) me ajudaram. Como velha solteira e chata que sou, só tomo leite desnatado, suco de uma marca específica, requeijão light, pães integral. Enfim, fiquei sem café da manhã.

Antes de sair, outro drama: estou num "bad hair day" completo. Nada amansou meus fios ruivos rebeldess, meio enrolados, mal escovados, com tintura saindo. Enfiei o óculos no cabelo, coloquei uma liguinha providencial no bolso para qualquer emergência, respirei fundo e fui enfrentar a vida lá fora.
Mas, sabe como é, mau humor só piora com o tempo. Mal cheguei no trabalho e – óoooobvio – problemas me esperavam. A Rede Globo (malas!!!) está no aeroporto à espera do meu chefe e dos companheiros de viagem dele. Péssimo sinal. O diagramador do jornal que preciso fechar não apareceu para trabalhar. E estão fazendo uma obra na sala ao lado. Dá para acreditar?!

Imaginem que estou escrevendo isso antes das 11h da manhã. Ainda me restam nada mais nada menos que umas 12 horas do dia para o meu mau humor se transformar em crise depressiva ou ímpetos homicida. Tenho um longo dia pela frente.

E tudo isso por quê? Por causa de hormônios. Fisiológicos e emocionais. Tive uma noite absolutamente surreal ontem, simplesmente porque, em algum momento da evolução humana, homens e mulheres perderam a capacidade de se comunicar. Vivemos a base de indiretas, interpretações de sinais, análise de comportamento... enfim, nos comunicamos das formas mais complexas possíveis! Uma frase objetiva e clara???? Nem pensar. Totalmente fora de cogitação.

E agora estou eu aqui, sem conseguir sequer avaliar se o que aconteceu comigo foi bom, foi maravilhoso, foi ruim ou foi catastrófico.

Os detalhes na verdade, não importam. Fato é que, depois de velha, perdi a capacidade de jogar. Não tenho saco, não tenho paciência, não tenho talento para os testes, as provocações e os sinais de um jogo de conquista. Quero um relacionamento que já venha pronto. Pronto, mas não desgastado. Quero que, como num passe de mágica, estejamos os dois apaixonados, absolutamente sintonizados, em uma conexão perfeita. Como antigos amantes. Só que, ao mesmo tempo, quero a sedução da conquista, a aventura da descoberta, a excitação do novo. Como um novo namorado.

Enfim, estou atrás do impossível. De um príncipe encantado ainda mais perfeito do que o sonhado na adolescência. Mas que chegue agora, porque estou ficando velha.

E não adianta vcs, meus amigos, me mandarem ter calma. EU TENHO CALMA. Eu estou relaxada. As coisas estão acontecendo. Mas eu tenho direito a um desabafo, ao menos, em meio a tantas expectativas alimentadas pela sociedade durante nossa vida inteira, né? São pelo menos uns 20 anos de cinema, novelas e sitcons, condicionando mulheres otárias (como eu) a esperar um amor perfeito, cada vez mais criativo e emocionante. Tenho tantas cenas de ficção, com as declarações de amor perfeitas, registradas em minha memória, que seria praticamente impossível para um cara me impressionar com algo novo. E aí? E aí, que o choque de realidade me faz ficar sozinha. E isso não é fato novo. Essa minha expectativa de perfeição provoca uma inquietação, que tem sido fatal para meus relacionamentos.

Ok, isso já virou um livro. Mas pelo menos estou me sentindo melhor. Vamos sobreviver.
Gustavo, vc entende agora o meu medo da idealização?

15.7.04

Estelionato estético

Percebi que estou gostando tanto do meu cabelo liso que, desde que cortei, ainda não o deixei cacheado. E aí, me dei conta de que para deixá-lo liso sempre eu teria de levar vida de patricinha. Interessada em saber como é o dia-a-dia dessas pobres sofredoras, consultei minhas assessoras para assuntos pattys, que me deram o manual de sobrevivência das defensoras dos cabelos exaustivamente escovados.

- Patricinha que se preze nunca toma banho de piscina em churrascos e afins. Não importa o calor, a secura, a animação dos amigos, a ameaça dos engraçadinhos. Piscina, chuveiros, cachoeiras e mesmo um saudável mergulho no mar estão permanentemente proibidos.

- Patricinha que se preze nunca aceita convites de última hora. Ou as propostas são feitas com antecedência suficiente para se fazer uma escova (ainda que seja daquelas meia-bomba, feitas em casa mesmo) ou nada feito. Sair com o cabelo desarrumado, nem para encontrar o Brad Pitt.

- Patricinha de verdade não cede às cantadas do namorado para encarar um banho a dois ou mesmo uma banheira de hidromassagem. Nenhum amor vale o estrago da escova.

Como boa menina que sou, temerosa de enfrentar alguma dessas situações e corroída de culpa pela propaganda enganosa, decidi contar ao cara com quem saí que ele estava sendo vítima de um estelionato.
“Meu cabelo é cacheado”, disparei, sem rodeios. “É mesmo? E o que vc fez para ele ficar assim?” “Escovei”, respondi. “E como faz para ele voltar a ser cacheado?”, perguntou o moço, num típico ataque de ignorância masculina. “É só lavar”, contei solene, revelando toda a farsa da minha nova vida de ruiva. E ouvi, em tom debochado: “então... há quanto tempo vc não toma banho???!!!”

Eu mereço.

12.7.04

Cara-metade

Gente!! Encontrei um blogueiro que é minha cara-metade. O moço e uns amigos escrevem num blog muito bom, chamado Macho Solteiro Também Sofre. De São Paulo, acho. O link taí ao lado. Os caras estão servindo para confirmar a minha tese de que nós mesmos é que temos complicado as coisas. E que se não baixarmos a guarda, nada de bom vai acontecer nunca!

Olha só o que ele escreveu sobre o "mistério do telefonema no dia seguinte"... Enjoy it.

Estive pensando em algumas coisas para escrever aqui, e lembrei de algo "curioso". Ontem conversava com uma amiga e discutíamos sobre o "jogo do dia seguinte", que é uma mistura de baboseira com idiotice (não necessáriamente nessa ordem). Vcs sabem do que estou falando. Vc sai. Conhece alguem. Conversa, rola um clima e tal. Fica com a pessoa (ou as vezes nem fica. Só fica com a vontade de ter ficado rs*). Trocam telefones. E... O juiz apita o inicio do jogo.
E nas regras veladas desse jogo sem vencedores estão coisas como: "Quem ligar antes perde". Ou, "ligou no dia seguinte é pq está gamado(a): nunca faça isso". E pior que por mais ridículo que isso possa parecer, há um consenso sobre a prática do jogo e seus participantes parecem não ter como escapar. Há alternativa? Sempre há. A velha e boa sinceridade acena como a melhor opção... Mas se um dos envolvidos insistir no jogo, provavelmente o placar vai ser um 0 X 0 mesmo. Já que se um abre o jogo demonstrando o interesse, causa um contra-ataque de "já ganhei" que é péssimo no jogo do dia seguinte (e da conquista tb...).
Eu mesmo tenho mania de dizer que as vezes gostamos mais do jogo do que da própria conquista. E ainda que torcendo contra (o jogo), lembro de momentos onde fui fisgado (não sei se felizmente ou infelizmente não foram muitas vezes). Mas sim, o tempo trouxe a experiência, e talvez uma certa "habilidade" nesse jogo. E isso, definitivamente, não tem trazido os melhores resultados.
Termino aqui na esperança de poder "voltar no tempo". Ao momento onde deixei de ouvir as vozes do coração, para seguir as regras dessa maldita cartilha de jogo.

Oito anos depois... estou muito melhor!!

Simplesmente inacreditável esse papo de “como o mundo dá voltas”. Dá mesmo!!!!!!!!!

Estava eu, sábado à noite, em uma típica festinha de jornalista, simplesmente porque era o melhor programa da noite. Sem nenhum pretensão - fui apenas para dançar um pouco e estrear meu cabelo novo. Não imaginava que, oito anos depois, um dos meus maiores sonhos iria se realizar, hehehehe...

Estava lá, dançando, dando uns “rolés guerreiros” básicos, quando um cara praticamente se materializa na minha frente, com algum papo bobo do tipo “quer dançar comigo?” ou “posso te oferecer uma bebida?”. O cara, imaginem, era um cidadão por quem passei os quatro anos de faculdade completamente apaixonada. Bom, até o sábado, ele sequer sabia da minha existência, claro. Mas eu enlouqueci minhas amigas por anos a fio por causa dele. Lindo, charmoso, interessante... No começo, eu costumava babar por ele no Ceubinho da UnB. Ele chegava de bicicleta, maravilhoso, e minha concentração ia para o espaço. Depois de formada, sempre encontrava com ele em baladas, bares... mas ele sequer me notava. E olha que temos alguns amigos em comum.

Mas daí, casei e pronto, o cara ficou ali, registrado como um daqueles amores platônicos que se acumulam na nossa vida. Solteira e de volta às baladas, voltei a reencontrá-lo. Cheguei até a preparar um discurso para, algum dia, me apresentar a ele se tivesse oportunidade. Claro que agora eu já era uma "mulher experiente!, com auto-estima mais consolidada. E ele, bom, não era mais tão deus-grego como há alguns anos. Mas a verdade é que nunca tive coragem. Sempre que ele estava por perto eu tinha uma crise de adolescente insegura e amarelava. mas os anjos protetores das boas meninas estavam de bom humor no sábado!!

Como eu ia dizendo, eu estava lá, de bobeira, e o cara chegou em mim, se apresentou, conversamos... Eu nem acreditava!! Hahahaha!!
O momento mais inacreditável foi quando ele disse, com a cara mais séria do mundo, que eu era “terrivelmente linda”. Hahahahaha, vcs acreditam??!! Lindo, encantador, aquariano e notando a minha existência! Fiquei lá, num mix absurdo de sensações como felicidade, vingança, ego inflado, ansiedade, excitação, encantamento...

Pois é, amigos. Materializei uma lenda.

Novo visual ou viciada em mudança




Cortei o cabelo. É, tirei assim cerca de um palmo no comprimento. Acho que depois de tantas mudanças em tão pouco tempo, acabei viciada. Só pode ser. Porque acordei em pleno sábado, ainda meio cansada da balada na noite anterior e decidi: é hoje. Uma ligação dramática para Ciene, minha cabelereira, e consegui um horário para a tal façanha. O resultado não poderia ser melhor. A primeira frase que Rô disparou quando me viu foi “nossa, como vc está moderna!”. Pronto, ganhei o dia e o corte valeu a pena. É como se agora eu estivesse mais com meu estilo (é, aquele papo patty tava me dando crise de identidade). Espero que vcs gostem tanto quanto eu gostei. Principalmente a ala masculina, hehehehe...
E vamos ver qual será meu próximo passo...

9.7.04

Enfim, balzaquiana convicta



Levei algum tempo, mas não posso mais evitar. Tenho de admitir. Fiquei velha. Sou uma balzaca. E não adiantam mais as tatuagens, os piercings, as roupas moderninhas. Me enquadrei devidamente na minha faixa etária.

Tive a confirmação na tarde de ontem. Saí cedo do trabalho e decidi ir ao cinema. Plena quinta-feira, sessão das 17h, dia tranquilíssimo para encarar um filminho relax. Como eu também estava a fim de comer num lugar legal, resolvi ir ao Pier 21. Tinha esquecido que estamos em julho, época de férias escolares. Resultado: não só o shopping estava abarrotado de pré-adolescentes, como metade dos cinemas passavam apenas Homem Aranha 2.

Fui atacada por uma crise de desânimo. A última coisa que eu queria era encarar um filme de super-herói ao lado de um bando de pirralhos, gritando, fazendo piadinhas e atirando coisas um no outro. Sem pensar duas vezes, dei meia-volta e parti para o Cine Academia. Afinal, lá durante a semana, jornalista paga meia-entrada.

Não podia ter escolhido melhor. Estacionamento vazio, nenhuma fila, cinema em completo silêncio. O público era discreto e educado. Estava prontíssima para assistir “Lugares Comuns” (um filme argentino sobre a crise no país), quando me deu um estalo. Eu - super à vontade, confortável e feliz – e um casal de gays éramos as únicas pessoas com menos de 40 anos entre os presentes. O restante do público era formado por coroas, casais de velhinhos e algumas madames.

Como é??!!! Além de estar assistindo filme argentino, eu ainda estava integrada em meio a um bando de quarentões e velhinhos??!!!! Estava. Completamente feliz. E ainda emocionada porque o perfume de um dos quarentões era o mesmo de um ex-namorado...

É isso, amigos. Michele no auge dos 30 anos.

8.7.04

O mistério do telefonema no dia seguinte



Acho que o maior enigma feminino da atualidade é descobrir o que faz um cara te ligar no dia seguinte. Esse simples telefonema, um contato básico entre pessoas que se conhecem, pode se transformar no maior pesadelo de uma boa menina.

A situação que dá início ao pesadelo do telefonema é corriqueira. Você conhece um cara em uma balada. Ou em qualquer outro lugar possível de se encontrar um moço minimamente decente. Paquerinha, conversinhas e, tchan-ran, beija o dito-cujo. Afinal, boas meninas também são de carne e osso. Até aí, tudo bem. Mas, por algum motivo inexplicável, você acha que esse, especificamente, é um cara com potencial. E aí, passa o número do celular. Pronto. Nesse exato momento, o pesadelo teve início. Pelos próximos dias, invariavelmente, se pegará pensando “mas, por que ele não ligou?”. Sim, porque há uma chance em mil dele realmente ligar.

Devidamente treinada no último carnaval da Bahia, eu sempre evito dar o número do celular. E nunca, em nenhuma hipótese, anoto o telefone de um possível pretendente. Assim, nem corro o risco de ligar para ele em momentos de carência. Mas, caí na armadilha no último final de semana. O moço “fez questão” de pegar meu telefone. Digo fez questão porque – movido por essas forças malignas que regem as ações masculinas – o cara não só gravou meu telefone como se deu ao trabalho de me mandar uma mensagem mais tarde. Combinação de fatores suficiente para eu cogitar: “será?!”

Óbvio, ele não ligou. Nem vai ligar. E isso me fez pensar nesse que deve ser o maior mistério do século. O que faz um cara ligar para você no dia seguinte? Isso tem, em algum aspecto, a ver com a gente?

Queria muito entender como acontece. Não por conta desse cara específico. Mas porque adoraria ter uma participação, mínima que fosse, nesse processo. Até porque homens agem das formas mais surpreendentes. No carnaval, quando ninguém em sã consciência liga para ninguém, um cara – lindo e super gente boa – deixou nada menos de NOVE recados na minha secretária no dia seguinte. Isso lá tem critério? Modus operandis? Algum sentido essencialmente masculino?

Sei que vocês, amigos homens, serão os primeiros a dizer que não há uma fórmula, que cada caso é um caso, blá-blá-blá... Sei disso tudo. E é exatamente por isso que acho esse o principal enigma feminino na cartilha da conquista. A mulher que desvendá-lo, definitivamente, dominará o mundo.

Experiências em serviço público

Estou eu, na minha linda sala, trabalhando arduamente, quando escuto uma conversa na sala ao lado – como as paredes são de compensado, todo mundo ouve todo mundo no meu novo trabalho. Mas, voltando a conversa, uma servidora do que deve ser o Recursos Humanos do meu departamento estava com a minha folha na ponto nas mãos. “Michele?! Quem é Michele? Nunca vi essa antes. Assistente da Mesa Diretora??! Com esse salário?! Nossa, por aqui aparece cada figura!”

Ela – loura, claaaaaro! – continuou lá, praticamente berrando na sala, insinuando que eu era mais uma servidora fantasma do serviço público. Óbvio que não consegui ignorar a situação. Me armei da minha cara mais meiga, meu sorriso mais simpático, e parti para a sala da dita-cuja.

Entrei protegida pelo anonimato. Ninguém ali me conhecia mesmo. Plantei-me em frente à mesa da loura (que ainda falava, acreditem!) e, com a cara mais lavada, disse: “Sou eu”.

Gente, foi impagável. Um silêncio repentino baixou no corredor. A moça, coitada, queria sumir. Não teve saída e acabou sendo super simpática comigo, me dando até boas-vindas. Minutos depois, cruzo com uma das colegas delas no corredor, que me diz “nossa, foi o flagra mais bem dado que eu já vi”. Pois é...

Friends forever





É isso. Friends acabou. Estou arrasada.


...


Falando em Friends, há semanas eu já chorava nos episódios finais do seriado. Simplesmente porque Rachel, de malas prontas para Paris, estava se despedindo de todos os amigos. E a cada novo diálogo entre ela e Mônica, eu caía no choro, antecipando as cenas que eu e Cici devemos protagonizar nos próximos meses. CARAMBA, VAI SER FODA.

Fato é que ela, Ana Cecília, está de férias. Viajou por 15 dias. Coisa absolutamente normal. Só que dessa vez me peguei pensando que isso é uma prévia do que vai rolar a partir de setembro. E comecei a sofrer antecipadamente. Só agora me toquei que nos falamos umas três vezes por dia. É para ela que ligo a cada dúvida no trabalho, cada novidade descoberta no almoço, cada cantada recebida, cada peça de roupa recém-comprada, cada bomba, cada bobagem... Enfim, para tudo o que acontece diariamente na minha vida. Nos últimos dias, toda vez que isso aconteceu – precisei falar com ela por algum motivo e não pude - deu um mega-aperto no peito. De pensar que em breve ela não estará mais ao alcance do meu telefone.

A gente tem evitado conversar sobre isso, para não cairmos no choro com tanta antecedência. Mas, desculpa Ci, você vai ter de me agüentar em prantos pelos próximos dois meses (ai, meu deus, faltam apenas DOIS meses!!!!!!!!!!!! Vem cá, tu tem certeza de que quer ir mesmo???!!)

6.7.04

Imitação não é limitação

Minha amada amiga Rô acabou de criar um blog!

Considerando a sensibilidade e o talento dela, tenho certeza de que todo mundo vai adorar. Só não vale comparar com este aqui, porque Rô sempre foi mais cabecinha e acadêmica que eu... hehehe...
Bom, o link está aí ao lado, com o nome inspirador "Vida de Polly". Para os não-nascidos na década de 70, é Polly de Pollyanna, a menina do jogo do contente.

Divirtam-se!

5.7.04

Homens modernos – e do bem

Passei esse domingo, num ataque de boa menina, dando uma geral nas minhas revistas de mulherzinha. Bom, como eu assino cinco delas (Elle, Marie Claire, Nova, Claudia e Estilo), eram pilhas e pilhas. E fiz uma descoberta importante: nos últimos meses, o mercado editorial decidiu convencer a mulherada de que os homens também estão se sentindo sozinhos e querem se apaixonar.

Foram dezenas de artigos, depoimentos, matérias, enquetes... todo tipo de texto jornalístico possível com os caras dizendo a mesma coisa: “nós também queremos nos apaixonar”. E aí, eu fiquei na dúvida. Teoricamente, essas revistas apontam as tendências do comportamento moderno. Digo, teoricamente porque, como jornalista, sei que as coisas dentro de uma redação não funcionam exatamente como dita o mundo real. Mas enfim. Tenho muitos amigos homens repetindo essa mesma ladainha. Dois deles já casaram, completamente apaixonados. Dois deles estão namorando e ficam exibindo aquele ar feliz que mata a gente de inveja. O restante jura que quer se envolver, namorar, que está à procura de uma mulher especial.

Então, o que exatamente não está funcionando? Por que as mulheres solteiras continuam reclamando que os caras não prestam, não estão a fim de nada, estão sempre em crise?! Será que a gente anda tão condicionada a falar mal dos pobres que nem enxergamos o real comportamento deles?

Bom, claro que tá cheio de homem canalha por aí. Já esbarrei em vários. Mas, também assisto a meninas adotando as mesmas cafajestadas. Joguinhos de sedução com sumiço depois, crises existenciais que não as deixam decidir entre uns três caras diferentes... A gente vê de tudo. E o mais comum são as garotas que dão a maior bola para os caras legais, aproveitam todo o carinho e atenção que eles oferecem e depois...ataque básico de canalhice - têm uma crise e dizem que não querem compromisso. Igual que nem os homens nas décadas passadas...

O que eu queria dizer mesmo – neste que eu acho foi o maior post que coloquei aqui até hoje – é que, de repente, a gente nem tá enxergando direito o que anda acontecendo à nossa volta. Claro que tem um bando de homem idiota espalhado pelo mundo. Mas os caras legais também estão por aí. Mais cedo ou mais tarde, a gente esbarra em um deles. Minha amiga Tânia tá super apaixonada pelo novo namorado, que foi muito correto e legal com ela antes deles ficarem juntos. Minha amiga Cici vai casar com um cara que veio de longe, literalmente, para buscá-la (aliás, Cici é reincidente. O ex-namorado dela também é um cara super legal). Meu ex-marido é o típico moço para casar. Enfim, os exemplos estão todos aí. É só a gente prestar atenção.

Ex-marido por lei

Deveria existir uma legislação específica que determinasse funções eternas de um ex-marido. Algo como ações obrigatórias pela liturgia do cargo. Listadas a seguir:

- ex-marido deveria pagar pensão. Afinal, levei praticamente um ano para me reequilibrar financeiramente depois da separação. Ou vcs acham que é fácil deixar de ser sustentada, de uma hora para outra?

- ex-marido deveria cuidar do nosso carro. Tudo bem que o meu ex nem era tão fissurado assim por questões automobilísticas, mas eu não fazia a menor idéia de quando era preciso trocar óleo, colocar água, trocar filtro, calibrar pneu, trocar as rodas... isso sem falar em revisão, troca de pneu... eca!!

- ex-marido deveria manter um esquema de assistência técnica 24 horas. O computador deu pau? A televisão ficou preta e branca? É preciso comprar uma lâmpada nova? O cabo do som pifou? O ex deveria estar lá, lindo e paciente, para traduzir manuais, ir à 109 Sul e encarar o Ponto Frio para a mais nova compra.

- ex-marido deveria continuar nos convidando para filar comidinhas na casa da mãe. Seja um almoço de domingo básico, um jantar de aniversário ou apenas um lanchinho no final de tarde. O que não pode acontecer é vc perder a chance de saborear aquele risoto de bacalhau fantástico da ex-sogra, o vinho maravilhoso do ex-sogro ou a calda de chocolate inesquecível da cunhada.

Vocês não concordam?
Afinal, ser mulher sozinha, moderna e independente às vezes é um saco...



SOBRE TATUAGENS E DESCOBERTAS

O anel de prata no dedo do teu pé
foi o começo

olhando para esse estranho adorno
saquei como a noite terminaria

foi aí que, incendiado por dentro
com meus mesmos olhos nublados
resolvi ajeitar as coisas

escolhi as melhores músicas
expulsei amigos indesejáveis

apaguei algumas luzes...

e quando finalmente tirei tua roupa
fiquei feliz ao enxergar
esse novo e indecifrável mundo tatuado em tuas costas


Lindo, né? Decidi pegar esse poema para mim, sem autorização do autor, porque o acho maravilhoso. Gosto de pensar que foi feito para mim, ainda que eu não seja a única garota no mundo com anel de prata no pé e tatuagem nas costas.
(Você não se importa, né Gu?)

2.7.04

Trabalho escravo

Parece piada. Mas estou trabalhando em plena sexta-feira, às 17h, e todos os meus colegas de trabalho estão chocados!! Já ouvi piadinha de uns cinco, que passaram pela minha porta para me desejar um bom fim de semana (isso desde muito mais cedo, é óbvio). Viu que mudança de paradigma?! Antigamente, 17h seria, no máximo, o começo do segundo turno de trabalho, com as matérias de fim de semana... hehehe... Descobri a vida, enfim!!



Teoria da conspiração



Por que diabos nós, boas meninas, sempre temos que tentar entender e teorizar tudo o que acontece com a gente? Pior, temos de dissecar em centenas de análises psicológicas cada diálogo, cada encontro, cada recado, cada mensagem, para saber exatamente o que está rolando com as pessoas com quem nos relacionamos, como vamos nos sentir a partir disso, como reagir, como jogar... Essa mania – que em mim torna-se quase um vício – vai acabar me enlouquecendo.

Essa semana, tive dois exemplos práticos.

Recebi um convite absolutamente despretensioso para almoçar. De um cara que, digamos, acho interessante. Beleza. Almoçamos, tudo foi tranqüilo, assuntos corriqueiros. Tudo absolutamente normal. Tão normal que quando fui embora levei horas pensando – e enlouquecendo minhas amigas – para encontrar uma explicação qualquer para aquele convite. Pensei tanto em “porque/como/com-que-propósito” que até cansei.

Dias depois, neurose repetida. Fui ao cinema com um amigo. Eu estava me sentindo sozinha e queria companhia de alguém que me fizesse bem. Beleza. Como eu não estava muito legal, não consegui ser uma boa companhia – o que era mais do que óbvio. Só que gastei mais um tantão de energia pensando e especulando sobre o que meu amigo ia pensar de mim. Qual a impressão que ele ficou da noite, se um dia repetiria algum convite para sair comigo. Bobagem? Claro, eu sei. Mas não consigo evitar.

Resultado: estou tão exausta de pensar que fiquei até meio deprê...
A gente deveria simplesmente relaxar e esperar as coisas acontecerem, né? Repito isso mil vezes para minha amiga Rô, mas a verdade é que não consigo aplicar isso na minha própria vida...

1.7.04

Vestindo a camisa

Tudo bem. Defender a nossa atual Câmara Legislativa é missão impossível. Mas vamos dividir a lama, pelo menos. Se nossos distritais aprontam e desaprontam, não estão sozinhos nisso. Por conta do trabalho, descobri que, ao menos em criatividade, nossos distritais têm concorrentes à altura. Só este ano, os deputados paulistas aprovaram as seguintes pérolas:

- Projeto de lei, do petista Fausto Figueira, para combater a proliferação dos caramujos gigantes, conhecidos cientificamente como Achatina fulica. Por lei, o governo deverá implementar um programa de controle, campanhas e planos de coletas do molusco. Simplesmente lindo.

- Projeto de lei garantindo às mulheres carentes atendimento médico durante a TPM. As paulistas agora poderão apelar para hospitais públicos para tratar os sintomas da tensão pré-menstrual. (Esse aí eu acho justíssimo!!)

- Projeto de lei para que sejam feitos dutos de passagem para os animais atravessarem as rodovias paulistas. Afinal, os pobres bichinhos vivem sendo atropelados pelos cruéis motoristas. Os deputados devem ter se inspirado nas nossas passagens subterrâneas no eixão, uma a cada dez metros...

- Projeto de lei do deputado Simão Pedro, também petista, que obriga as casas noturnas de São Paulo a instalarem bebedouros. O argumento é fantástico: o aumento do consumo de drogas, como o ecstase, faz com que usuários tenham necessidade de ingestão de grande quantidade de líquido para evitar a desidratação. Como uma garrafinha de água nesses lugares chega a custar R$ 6,00, eles acabam ingerindo bebidas alcoólicas mais baratas, o que aumenta o problema. (Ainda bem que existem deputados preocupados com os jovens do país!!)

Não se preocupem. Pretendo todos vocês devidamente informados da atuação parlamentar em outros estados... hehehehe...



Momento felicidade total

Flamengo (argh!) perde a Copa Brasil dentro do Maracanã!!!! Ueeeeeeebaaaa!! U-hu!!! Hahahahahahahahaha!!!! Parabéns Santo André!